Por que assumir o financiamento muda completamente o lucro de uma fintech de crédito

Na maioria das reuniões que participo com empresas interessadas em criar uma fintech de crédito, existe um padrão que se repete: a ideia inicial quase sempre parte de uma integração com bancos ou financeiras tradicionais para viabilizar o crédito.

Esse caminho faz sentido no começo. Ele reduz barreiras regulatórias, acelera o go-to-market e permite validar o modelo.


O problema é que, se essa estrutura vira definitiva, ela limita profundamente o crescimento e a rentabilidade do negócio.

E isso não é uma discussão teórica. É algo que aparece na prática, em reuniões reais.

O modelo tradicional de fintech de crédito

No modelo mais comum, a fintech atua como originadora:

  • Capta o cliente
  • Faz a jornada digital
  • Coleta dados
  • Inicia o processo de crédito

Quem efetivamente:

  • Analisa o risco final
  • Disponibiliza o capital
  • Define taxas e prazos

é o banco ou a financeira parceira.

No fim, a fintech recebe uma comissão, uma taxa por operação ou um revenue share.
Funciona. Mas existe um detalhe importante.

Quem coloca o dinheiro controla o spread.
E quem controla o spread controla o lucro.

Na prática, a fintech faz grande parte do trabalho e fica com uma fatia limitada do resultado financeiro.

Onde está o erro estrutural

O erro não está em usar parceiros financeiros. Eles são fundamentais.
O erro está em abrir mão completamente da estrutura de financiamento.

Quando a fintech depende integralmente de terceiros para funding, ela:

  • Tem margem limitada
  • Fica refém de políticas externas
  • Perde flexibilidade para inovar em modelos de cobrança
  • Tem dificuldade para escalar com previsibilidade

É aqui que entra a inversão de lógica.

A inversão da lógica: assumir o financiamento

Em vez de apenas originar crédito para um banco, a fintech pode assumir o papel de financiadora do próprio serviço ou produto.

Funciona assim:

  • A empresa analisa o cliente
  • Define critérios internos de crédito
  • Financia diretamente a operação em parcelas
  • O resultado financeiro permanece dentro do grupo

Em muitos casos, especialmente quando falamos de prestação de serviços, nem existe um grande desembolso inicial.
O custo é diluído ao longo do tempo, enquanto a receita financeira passa a ser recorrente.

Isso muda completamente a equação do negócio.

A importância de separar operação e crédito

Um ponto fundamental, e que sempre recomendo, é a separação clara entre operação e crédito.

O modelo mais saudável é:

  • Uma empresa focada na operação, tecnologia e experiência do cliente
  • Outra empresa dedicada exclusivamente à estrutura de crédito

Essa empresa de crédito deve operar:

  • Com governança própria
  • Gestão de risco clara
  • Conectada a um parceiro regulado pelo Banco Central

Essa separação traz benefícios enormes:

  • Reduz risco jurídico e financeiro
  • Facilita compliance
  • Permite escalar o crédito de forma controlada
  • Dá transparência para investidores e parceiros

Não é sobre “burlar” o sistema. É sobre estruturar corretamente.

Por que esse modelo muda o jogo

Quando a fintech assume o financiamento de forma estruturada, alguns efeitos aparecem rapidamente:

  • Margens maiores
  • Previsibilidade de receita
  • Mais controle sobre a jornada do cliente
  • Capacidade real de desenhar produtos financeiros sob medida
  • Maior valor estratégico do negócio no longo prazo

A fintech deixa de ser apenas um canal de distribuição e passa a ser, de fato, uma empresa financeira.

Não é uma decisão tecnológica. É estratégica.

Muita gente discute fintech olhando apenas para tecnologia, APIs e integrações.
Tudo isso é importante, mas não resolve o principal.

A estrutura financeira define o sucesso ou o fracasso da operação.

Decisões erradas no início podem até acelerar o lançamento, mas custam muito caro depois.
Decisões sólidas, mesmo que mais complexas, constroem negócios sustentáveis.

Esse tipo de discussão raramente aparece em pitch decks ou posts virais, mas é ela que define quem vai crescer de verdade no mercado de crédito.

CNAEs recomendados para fintechs em 2026: fintech full (contas digitais) e fintech de crédito (SCD e securitizadoras)

Quem está estruturando uma fintech no Brasil rapidamente descobre que o desafio não é apenas tecnologia, produto ou captação.

Existe uma etapa fundamental que impacta abertura da empresa, compliance bancário, parceiros de Banking as a Service e até o modelo regulatório: a definição correta dos CNAEs.

Escolher o CNAE errado pode gerar problemas como:

dificuldade em abrir conta bancária
restrições em parceiros financeiros
questionamentos de compliance
enquadramento fiscal inadequado
risco regulatório

Neste artigo, vou explicar quais são os CNAEs mais usados e recomendados para dois modelos comuns: fintech full (contas digitais e pagamentos) e fintech de crédito (SCD, securitizadora e recebíveis).

O que é CNAE e por que isso importa para fintechs?

CNAE significa Classificação Nacional de Atividades Econômicas.

É o código oficial que define quais atividades sua empresa exerce perante: Receita Federal, Junta Comercial, bancos e instituições financeiras, parceiros de BaaS e processos de compliance e PLD/FT.

No mundo fintech, isso é crítico porque a empresa não é apenas “software”. Ela opera fluxos financeiros, crédito ou pagamentos.

CNAEs recomendados para fintech full (contas digitais e pagamentos)

A fintech full é aquela que oferece infraestrutura transacional, normalmente com contas digitais, Pix, cartões, pagamentos, cash‑in e cash‑out, carteiras digitais e serviços financeiros integrados.

Ela pode operar via parceiro regulado ou como instituição autorizada, dependendo do caso.

CNAEs mais comuns para fintech full

6619-3/02 – Correspondentes de instituições financeiras
Esse é um dos CNAEs mais utilizados por fintechs que atuam como interface digital para serviços financeiros prestados por parceiros regulados. Muito comum em operações com conta digital via BaaS.

6201-5/01 – Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda
Usado quando a fintech é essencialmente uma plataforma tecnológica. Mas atenção: sozinho, ele costuma ser insuficiente para operações transacionais perante bancos.

6311-9/00 – Tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem
Aparece em fintechs que operam infraestrutura digital e sistemas críticos.

6619-3/99 – Outras atividades auxiliares dos serviços financeiros não especificadas anteriormente
CNAE bastante usado como complemento para enquadrar atividades financeiras acessórias quando não há um código mais específico.

Em resumo, uma fintech full normalmente combina tecnologia (6201‑5/01), serviços auxiliares financeiros (6619‑3/99) e correspondente bancário (6619‑3/02).

CNAEs recomendados para fintech de crédito (SCD e recebíveis)

A fintech de crédito é um modelo diferente. Aqui o foco não é conta digital, mas sim empréstimos, originação de crédito, compra de recebíveis, FIDCs, securitização e operações estruturadas.

Nesse caso, o enquadramento precisa refletir atividades financeiras de crédito.

CNAEs mais comuns para fintech de crédito

6499-9/99 – Outras atividades de serviços financeiros não especificadas anteriormente
Esse é um dos CNAEs mais usados por fintechs de crédito em estágio inicial, principalmente quando a operação ainda não é uma instituição autorizada.

6492-1/00 – Sociedades de fomento mercantil (factoring)
Muito comum em empresas que atuam com compra de direitos creditórios, antecipação de recebíveis e operações B2B. Embora factoring não seja exatamente “crédito bancário”, é um CNAE tradicional para operações com recebíveis.

6435-2/01 – Securitização de créditos
Esse CNAE é utilizado quando existe uma empresa estruturada especificamente como securitizadora, emitindo instrumentos e operando crédito via mercado de capitais.

6613-4/00 – Administração de cartões de crédito
Não é o mais comum, mas pode aparecer em operações que envolvem crédito associado a instrumentos de pagamento.

Em resumo, uma fintech de crédito normalmente combina serviços financeiros genéricos (6499‑9/99), recebíveis e factoring (6492‑1/00) e securitização (6435‑2/01).

Fintech full vs fintech de crédito: o erro mais comum

Um erro frequente é tentar usar o mesmo CNAE para modelos completamente diferentes. Fintech full é transacional e ligada a pagamentos. Fintech de crédito é estruturada em risco, funding e recebíveis. Parceiros bancários e investidores analisam isso com atenção.

Aviso importante (compliance)

A escolha final dos CNAEs deve ser feita com apoio de contador especializado em fintech, consultoria jurídica regulatória e parceiro bancário ou instituição regulada. Este artigo tem objetivo educativo e estratégico, mas o enquadramento correto depende do desenho operacional e do modelo regulatório.

Consultoria para estruturação de fintechs

Na Alphacode, nós ajudamos empresas a estruturar fintechs completas, tanto no modelo full (contas digitais) quanto no modelo de crédito (SCD, securitizadoras e recebíveis). Isso envolve tecnologia, mas também visão operacional e regulatória para evitar erros caros no início. Se você está desenhando uma fintech e quer validar o modelo completo, posso te ajudar com uma consultoria objetiva.

Conclusão

Os CNAEs são um dos pontos mais subestimados na criação de fintechs, mas impactam diretamente a viabilidade bancária, regulatória e fiscal do projeto. Fintech full exige enquadramento ligado a contas digitais e pagamentos. Fintech de crédito exige enquadramento ligado a recebíveis, concessão e estruturação financeira. Fazer isso certo desde o início é parte essencial para escalar com segurança.

Embedded Finance em 2026: por que toda empresa pode (e deve) virar fintech

Até poucos anos atrás, oferecer serviços financeiros era algo restrito a bancos e instituições tradicionais. Em 2026, esse cenário mudou completamente.

Hoje, empresas de varejo, marketplaces, plataformas digitais, indústrias e até negócios de serviços estão incorporando pagamentos, crédito, contas digitais e outros produtos financeiros diretamente em seus sistemas. Esse movimento tem nome: Embedded Finance.

Mais do que uma tendência, o Embedded Finance se consolidou como uma estratégia real de crescimento, fidelização e geração de novas receitas. E o mais importante: ele deixou de ser algo exclusivo de grandes empresas.

Neste artigo, você vai entender o que é Embedded Finance, por que ele se tornou tão relevante em 2026 e como praticamente qualquer empresa pode (e deve) considerar esse caminho.

O que é Embedded Finance?

Embedded Finance é o modelo em que serviços financeiros são integrados diretamente à experiência de um produto ou plataforma, sem que o usuário precise recorrer a um banco tradicional.

Na prática, isso significa que uma empresa que não nasceu como fintech pode oferecer, dentro do seu próprio app ou sistema:

pagamentos
carteiras digitais
contas transacionais
crédito
parcelamento
split de pagamentos
seguros
antecipação de recebíveis

Tudo isso de forma transparente para o usuário final, como parte natural da jornada.

O cliente não “entra no banco”. O banco vai até onde o cliente já está.

Por que o Embedded Finance explodiu nos últimos anos?

O crescimento do Embedded Finance não aconteceu por acaso. Ele é resultado da combinação de alguns fatores estruturais.

O primeiro deles é a evolução da infraestrutura financeira, com APIs mais maduras, Open Finance, Pix, Banking as a Service e adquirência cada vez mais acessível.

O segundo fator é a mudança de comportamento do usuário, que passou a valorizar conveniência, velocidade e experiências integradas. O cliente não quer mais pular entre vários apps para resolver coisas simples.

O terceiro ponto é o potencial de receita. Serviços financeiros têm margens interessantes e permitem monetizar a base de clientes de forma recorrente, algo extremamente valioso em um cenário de busca por rentabilidade.

Em 2026, Embedded Finance deixou de ser inovação e passou a ser estratégia competitiva.

Por que toda empresa pode virar fintech em 2026?

Aqui está o ponto central.

Virar fintech hoje não significa virar banco, obter licença completa ou assumir uma operação financeira complexa desde o primeiro dia.

Significa integrar serviços financeiros ao seu modelo de negócio, de forma gradual, segura e alinhada ao seu produto principal.

Com os modelos atuais de Banking as a Service, PSPs, subadquirentes e parceiros regulados, empresas conseguem lançar soluções financeiras sem precisar reinventar toda a roda.

É por isso que vemos cada vez mais:

marketplaces criando contas para vendedores
apps de delivery oferecendo carteiras e crédito
plataformas SaaS integrando cobrança recorrente e gestão de recebíveis
empresas de serviços oferecendo parcelamento e financiamento

Tudo isso é Embedded Finance na prática.

Quais são os principais benefícios do Embedded Finance?

O primeiro benefício é aumento de receita. Serviços financeiros geram novas fontes de faturamento, como taxas de transação, float, juros, antecipação e serviços agregados.

O segundo é fidelização. Quando o cliente centraliza pagamentos e dinheiro dentro da sua plataforma, o custo de troca aumenta e o relacionamento se fortalece.

O terceiro é melhor experiência do usuário. Menos fricção, menos integrações externas e mais fluidez na jornada.

O quarto é acesso a dados estratégicos. Operar pagamentos e fluxo financeiro gera informações valiosas para tomada de decisão, personalização e ofertas futuras, como crédito.

Em um mercado cada vez mais competitivo, esses diferenciais fazem muita diferença.

Exemplos práticos de Embedded Finance

Em 2026, o Embedded Finance já aparece em diversos formatos.

Marketplaces oferecem contas digitais para vendedores, com recebimento instantâneo e antecipação de valores.
Apps de delivery criam carteiras próprias e programas financeiros para parceiros.
Plataformas B2B integram cobrança recorrente e gestão de recebíveis.
Empresas de serviços oferecem parcelamento e financiamento direto no checkout.

O ponto comum entre todos esses exemplos é simples: o serviço financeiro resolve um problema real do negócio, não é apenas um “extra”.

Embedded Finance é só para grandes empresas?

Não.

Essa é uma das maiores mudanças recentes. O Embedded Finance se tornou acessível também para empresas médias e startups, justamente por causa da evolução do ecossistema.

Hoje é possível começar pequeno, com algo simples como:

pagamento integrado
split de pagamento
carteira digital básica
recorrência

E evoluir com o tempo para produtos mais sofisticados, como crédito, contas completas ou soluções financeiras próprias.

O segredo está em começar com clareza de objetivo, e não com uma visão inflada de “virar banco”.

O que considerar antes de adotar Embedded Finance?

Apesar das oportunidades, Embedded Finance não é algo para ser feito sem planejamento.

É fundamental avaliar:

o modelo regulatório mais adequado
parceiros financeiros e tecnológicos
segurança e governança
impacto operacional
modelo de monetização
experiência do usuário

Muitas empresas erram ao tratar Embedded Finance apenas como tecnologia, quando na verdade ele envolve decisões de negócio, risco e operação.

Por isso, a fase de diagnóstico e pré-projeto é tão importante.

Embedded Finance como estratégia para 2026

Em 2026, empresas que ignoram Embedded Finance tendem a perder espaço para concorrentes mais integrados e eficientes.

Isso não significa que toda empresa precise lançar uma fintech completa.
Mas significa que toda empresa deveria avaliar seriamente como serviços financeiros podem fortalecer seu produto principal.

Embedded Finance não é sobre modismo.
É sobre capturar mais valor da sua própria operação.

Consultoria para estruturar Embedded Finance

Se você está avaliando como integrar pagamentos, contas digitais ou outros serviços financeiros ao seu produto, eu realizo consultorias para ajudar empresas a estruturar estratégias de Embedded Finance de forma segura, escalável e alinhada ao negócio.

A consultoria foca em diagnóstico, arquitetura, modelo operacional e próximos passos, evitando decisões caras e retrabalho no futuro.

Se quiser conversar, é só me chamar.

Conclusão

Embedded Finance em 2026 é uma realidade consolidada.
Empresas que entendem esse movimento conseguem criar experiências melhores, novas fontes de receita e relações mais duradouras com seus clientes.

Mais do que virar fintech, trata-se de integrar finças ao coração do negócio.

E isso, hoje, está ao alcance de muito mais empresas do que parece.

O que é uma adquirente e qual o papel dela no mercado de fintechs?

Se você está pesquisando sobre fintechs e meios de pagamento, provavelmente já encontrou termos como adquirente, subadquirente, gateway e PSP.

O problema é que muita gente confunde esses conceitos e isso costuma gerar decisões erradas na hora de montar uma operação de pagamentos, seja em um e-commerce, um aplicativo, um marketplace ou uma fintech.

Neste artigo, eu vou explicar de forma simples o que é uma adquirente, como ela funciona na prática e por que ela é uma peça tão importante no ecossistema de fintechs.

O que é uma adquirente?

Adquirente, também chamada de credenciadora, é a empresa responsável por conectar o lojista ao sistema financeiro de cartões. Em outras palavras, ela permite que uma venda feita no cartão de crédito ou débito seja processada, autorizada e liquidada.

Na prática, quando um cliente paga com cartão, existe toda uma estrutura por trás para que aquela transação seja validada e o dinheiro chegue ao destino correto. A adquirente é um dos componentes centrais dessa estrutura. Sem ela, o pagamento com cartão não acontece da forma tradicional.

Como uma adquirente funciona na prática?

O papel da adquirente aparece no momento em que o consumidor realiza uma compra e escolhe pagar com cartão. Primeiro, a transação é capturada pelo sistema de venda, que pode ser um checkout de e-commerce, um aplicativo, uma maquininha ou uma plataforma digital. A partir desse momento, a adquirente entra em ação para processar a solicitação.

Ela encaminha a transação para a rede da bandeira do cartão, que funciona como uma ponte entre o ambiente do lojista e o banco emissor. Em seguida, o banco emissor avalia a compra e decide se aprova ou recusa, com base em critérios como limite disponível, validações de segurança e risco de fraude.

Quando a compra é aprovada, a adquirente organiza a liquidação e o repasse do valor, respeitando as regras da operação. Esse repasse acontece conforme o prazo acordado, considerando taxas como MDR e as condições de parcelamento e agenda de recebíveis.

Por que ela se chama adquirente?

O nome “adquirente” vem do conceito de que essa empresa “adquire” a transação do lojista e encaminha para o ecossistema financeiro. Ela funciona como uma ponte entre o mundo da venda e o mundo bancário, garantindo que a operação aconteça com segurança e rastreabilidade.

Esse papel é especialmente relevante em negócios digitais, porque a transação precisa acontecer com estabilidade, consistência e previsibilidade. Pequenas falhas aqui geram impacto direto em vendas, satisfação do usuário e receita.

Um exemplo simples para entender

Imagine um aplicativo de delivery. O cliente escolhe o pedido, finaliza a compra e paga com cartão. O sistema envia essa transação para processamento, a adquirente recebe e encaminha para a bandeira, a bandeira envia ao banco emissor, o banco aprova e a compra é concluída. Depois disso, dentro do prazo contratado, o dinheiro é repassado para o recebedor certo.

Em poucos segundos, um fluxo relativamente complexo é executado. A adquirente está no centro desse processo.

Qual a diferença entre adquirente, gateway e subadquirente?

No mercado de pagamentos existem termos parecidos, mas cada um cumpre um papel diferente.

A adquirente é quem faz a conexão com bandeiras e emissores e efetivamente processa a transação e liquida o pagamento. Ela credencia o lojista e viabiliza o fluxo financeiro da venda.

O gateway de pagamento é uma camada tecnológica que conecta o checkout ou o sistema de venda aos serviços financeiros. Ele ajuda no roteamento e na integração, podendo trabalhar com múltiplas adquirentes e oferecendo recursos como conciliação, antifraude e redundância de transação.

Já a subadquirente é uma empresa que utiliza adquirentes por trás e oferece uma solução simplificada para lojistas e plataformas. Esse modelo é muito comum em marketplaces, aplicativos com múltiplos recebedores e operações que precisam facilitar o onboarding de vendedores sem exigir credenciamento direto com cada adquirente.

Entender essas diferenças é importante porque elas impactam custos, risco, experiência do usuário e o desenho do produto.

Qual o papel da adquirente no mercado de fintechs?

No universo de fintechs, a adquirente vai muito além de “processar cartão”. Ela é uma peça estratégica de infraestrutura que permite que produtos digitais realmente movimentem dinheiro de forma estruturada.

É ela que viabiliza operações como checkout dentro de aplicativos, pagamentos recorrentes, parcelamentos, split de pagamento e modelos de marketplace. A adquirência está presente em muitos projetos que envolvem contas digitais, carteiras, plataformas de cobrança, soluções para e-commerce e produtos financeiros integrados.

Por isso, quando uma fintech cresce, a escolha e a arquitetura de adquirência começam a impactar diretamente não só o custo da operação, mas também a taxa de conversão, a estabilidade e a capacidade de expansão do produto.

Por que a adquirente é tão importante para uma fintech?

O primeiro motivo é que ela habilita a transação real. Sem uma estrutura de adquirência bem definida, o produto pode até funcionar como plataforma, mas não sustenta um fluxo financeiro robusto e escalável.

O segundo motivo é que adquirência impacta conversão. Instabilidade, timeout, falhas na autorização, excesso de transações negadas e problemas de integração afetam diretamente vendas e receita. Em aplicativos, isso costuma aparecer como abandono de compra e perda de confiança do usuário.

O terceiro ponto é a margem. Taxas, repasses, antecipação e condições de recebíveis mudam completamente a economia do negócio. Muitas fintechs aprendem isso na prática, depois que já estão operando, quando o volume cresce e os custos ficam mais visíveis.

Por último, a adquirência também influencia risco e chargeback. Fraude e contestação fazem parte do jogo e a forma como a operação é estruturada impacta retenções, regras de disputa e previsibilidade do caixa.

O que avaliar na hora de escolher uma adquirente?

Se você está estruturando um produto com pagamentos, vale olhar com atenção para estabilidade e disponibilidade, qualidade das APIs, suporte e tempo de resposta, modelo comercial, prazos de recebimento e agenda financeira, além de recursos como split de pagamento e capacidade de lidar com múltiplos recebedores.

Também é importante entender como a adquirente trabalha com chargeback, regras de contestação e camadas de segurança. Em fintech, esses pontos rapidamente deixam de ser detalhes técnicos e viram parte essencial do negócio.

Consultoria para estruturar sua operação de pagamentos

Se você está montando uma fintech, marketplace ou plataforma com pagamentos e quer tomar decisões sólidas desde o início, eu faço consultorias objetivas para avaliar o modelo ideal de adquirência e estruturar a operação com visão de negócio, tecnologia e governança.

Se quiser, me envie uma mensagem e eu te retorno com os próximos passos.

Conclusão

Adquirente é a empresa que conecta o lojista ao ecossistema de cartões, permitindo que pagamentos sejam autorizados e liquidados. E no mercado de fintechs, ela é um componente essencial de infraestrutura, porque viabiliza transação, conversão, previsibilidade financeira e capacidade de escala.

Entender adquirência em 2026 não é detalhe técnico. É fundamento para qualquer produto que precise movimentar dinheiro com consistência.

Float Financeiro: o Conceito que Explica Como Fintechs Ganham Dinheiro (Guia Completo 2026)

Se existe um conceito que separa as fintechs que sobrevivem das que escalam, é o float financeiro.

E, sendo muito honesto, ainda me surpreende ver quantos empreendedores, gestores e até “especialistas” do mercado financeiro nunca pararam para entender isso a fundo.

Só que entender o float não é um detalhe técnico.

É entender como o dinheiro realmente circula dentro de um produto financeiro e como esse movimento pode se transformar em margem, previsibilidade e escala.

Vamos direto ao ponto.

O que quase ninguém entende sobre o float financeiro

O float é simples de entender, mas profundo nas implicações.

Quando alguém paga algo na sua plataforma, o dinheiro entra.

Mas ele não é repassado imediatamente ao destinatário final.

Esse intervalo que pode ser de horas ou dias é onde mora o float financeiro.

E, enquanto o dinheiro está “parado”, ele está trabalhando. Para alguém.

A pergunta é: está trabalhando para você ou para o seu concorrente?

O que é float financeiro?

Sem rodeios:

Float financeiro é o valor que fica temporariamente sob sua custódia antes do repasse.

Esse dinheiro em trânsito, que ainda não chegou ao recebedor, gera oportunidade de receita.

E, quanto maior o volume da sua operação, maior essa oportunidade.

Em fintech, isso se torna um dos pilares silenciosos da monetização.

Por que o float financeiro é tão importante para fintechs?

Quem já construiu fintech — e quem já analisou modelos de negócio dos grandes players — sabe:

A margem operacional dos meios de pagamento está cada vez menor.

A competição empurra taxas para baixo.

E o custo de aquisição não fica mais barato.

Mas o float…

O float cresce junto com a operação

e não exige investimento adicional.

É por isso que entender float financeiro é tão estratégico.

Ele permite:

  • melhorar fluxo de caixa,

  • gerar receita recorrente,

  • financiar parte da operação,

  • aumentar valuation,

  • criar previsibilidade.

Ignorar isso é jogar fora uma das maiores vantagens do setor.

Como o float funciona na prática

Funciona assim:

  1. O cliente paga.

  2. O valor entra em uma conta operacional ou de custódia.

  3. O repasse acontece em D+1, D+2 ou conforme a política da sua operação.

Esse intervalo — natural do sistema financeiro — gera dinheiro.

Se você trabalha com R$ 5 milhões, R$ 10 milhões, R$ 20 milhões de TPV diário, o impacto pode ser enorme.

Já vi negócios mudarem de patamar apenas reorganizando a forma como tratavam o float.


Erros comuns sobre o float financeiro

É aqui que muitas empresas derrapam:

  • Acreditam que é “ilegal” usar o float.

  • Focam apenas em taxa de pagamento.

  • Não estudam o fluxo de liquidação.

  • Copiam modelos sem entender a lógica financeira.

  • Perdem liquidez por falta de estrutura.

A verdade é que o float não é brecha, não é truque e não é gambiarra.

É engenharia financeira aplicada a produtos digitais.


Float x Spread: entenda a diferença

Essa confusão é clássica:

  • Spread é a diferença entre o que você paga para captar e o que recebe ao emprestar.

  • Float não tem nada a ver com empréstimo.

O float é o rendimento do dinheiro em trânsito, não emprestado.

Quem confunde os dois ainda está no começo da jornada.


O que diz o Banco Central sobre o float

O Banco Central permite o float financeiro, sim.

Ele apenas exige:

  • segurança dos recursos,

  • transparência,

  • cumprimento das regras de liquidação,

  • aplicações em ativos conservadores,

  • disponibilidade imediata para repasse.

Não existe mistério.

Existe responsabilidade operacional.

Como calcular o float financeiro (modelo simples)

Quer visualizar o impacto?

Vamos a um exemplo direto:

  • Volume diário (TPV): R$ 10.000.000

  • Retenção média: 2 dias

  • Rendimento diário médio: 0,025%

Cálculo:

10.000.000 × 2 × 0,00025 = 5.000 por dia

Ou seja:

R$ 150 mil/mês.

R$ 1,8 milhão/ano.

Sem marketing.

Sem time extra.

Apenas entendendo o mecanismo financeiro.

O impacto do Pix no float das fintechs

Muita gente acredita que o Pix “acabou” com o float.

Não acabou — apenas mudou a dinâmica.

O Pix aumentou:

  • o volume transacionado,

  • a velocidade da liquidação,

  • e a necessidade de modelos mais inteligentes de retenção.

Quem sabia trabalhar float antes do Pix continua sabendo.

Quem não sabia… continua perdido.


Como o float influencia o valuation de uma fintech

Investidores olham três números com cuidado:

  • TPV,

  • prazo médio de repasse,

  • receita gerada pelo float.

Quando uma fintech domina esses elementos, ela ganha um diferencial competitivo que não aparece no pitch deck… mas aparece no valuation.


Conclusão: float não é detalhe — é estratégia

Eu já participei da construção e evolução de várias operações financeiras.

E existe uma verdade recorrente:

Fintech que entende o float cresce com mais saúde.

Fintech que ignora o float cresce com risco.

O mercado muda, as tecnologias mudam, o comportamento do usuário muda.

Mas o básico do dinheiro continua sendo dinheiro — e quem entende isso, avança.

O float financeiro não é “extra”.

É parte do seu modelo de negócio.


Quer aplicar essa estratégia na sua fintech, no seu produto financeiro ou no seu negócio digital?

Eu ajudo empresas a estruturarem modelos financeiros sólidos, eficientes e alinhados ao crescimento.

Se você quer entender como usar o float a favor do seu negócio, me chame.

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Open Finance em 2025: tendências, oportunidades e como sua instituição pode se beneficiar

O Open Finance não é mais uma promessa: é uma realidade consolidada que está moldando o futuro das finanças no Brasil. Desde o Open Banking, o ecossistema evoluiu para um modelo mais amplo, integrando seguros, investimentos e até serviços não financeiros.

Em 2025, o foco sai da integração e entra na monetização dos dados — como transformar o compartilhamento seguro de informações em vantagem competitiva. Neste artigo, exploramos as principais tendências, oportunidades e caminhos práticos para instituições financeiras, fintechs e provedores de tecnologia que desejam se destacar nesse novo cenário.

Ilustração de dashboard financeiro mostrando integração de dados via Open Finance em 2025
Ilustração de dashboard financeiro mostrando integração de dados via Open Finance em 2025

1. O que é Open Finance e em que estágio estamos

O Open Finance é a evolução natural do Open Banking. Ele permite que o cliente autorize o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições diferentes, de forma segura e padronizada via APIs.

Atualmente, mais de 800 instituições participam do ecossistema, com milhões de consentimentos ativos e bilhões de chamadas de API mensais, segundo dados do Banco Central.

Em 2025, o Brasil se consolida como referência global — o país tem um dos sistemas mais completos e com maior adesão do mundo, superando inclusive o Reino Unido em volume de interações.


2. As tendências que estão moldando o Open Finance em 2025

2.1 Monetização de dados e inteligência preditiva

As instituições começam a transformar dados em ativos de negócio. O uso de IA e machine learning sobre dados abertos permite prever comportamento de consumo, risco de crédito e oportunidades de investimento.

2.2 Open Finance além do setor bancário

O movimento se expande para seguros, investimentos, consórcios e até varejo, criando o conceito de “Open Everything”. Plataformas passam a usar dados financeiros para personalizar benefícios, fidelidade e crédito integrado.

2.3 Parcerias entre fintechs e bancos tradicionais

Em vez de competição, cresce o modelo Banking-as-a-Service (BaaS), onde instituições compartilham infraestrutura e inovação. O Open Finance acelera essa colaboração.

2.4 Foco em experiência e confiança

Com a crescente preocupação com privacidade, empresas que oferecem UX simples, transparente e segura ganham vantagem. A jornada do consentimento precisa ser clara e intuitiva.

2.5 Regulação e supervisão contínuas

O Banco Central reforça a governança com novas instruções normativas, especialmente sobre segurança de APIs, autenticação e proteção de dados sensíveis.


3. Oportunidades para instituições financeiras

O Open Finance permite que fintechs e bancos:

  • Criem produtos personalizados com base em dados reais do cliente;

  • Ofereçam crédito mais inteligente, com risco ajustado;

  • Lancem superapps financeiros, unindo contas, investimentos e benefícios;

  • Fortaleçam a fidelização com experiências integradas;

  • Desenvolvam novos modelos de negócio via APIs abertas, parcerias e marketplaces financeiros.


4. Como se preparar para aproveitar o Open Finance

  1. Invista em APIs seguras e escaláveis — o coração do Open Finance é a integração.

  2. Implemente governança de dados — assegure consentimento, rastreabilidade e compliance com LGPD.

  3. Automatize processos regulatórios — relatórios, logs e auditorias precisam ser contínuos.

  4. Crie squads multidisciplinares — tecnologia, produto e jurídico devem atuar juntos.

  5. Busque parceiros especializados — o sucesso depende da combinação entre infraestrutura sólida e inovação constante.


5. Como a Alphacode apoia empresas no ecossistema Open Finance

Com mais de 10 anos desenvolvendo soluções tecnológicas para o setor financeiro, a Alphacode ajuda instituições a se conectarem ao ecossistema Open Finance com segurança e performance.

Com a plataforma MOSAICO Finance, é possível:

  • Integrar e consumir APIs do Open Finance;

  • Automatizar autenticação e consentimentos;

  • Monitorar transações com alertas em tempo real;

  • Criar dashboards de governança e indicadores;

  • Desenvolver novos produtos digitais sobre dados abertos.

A Alphacode atua como parceira estratégica, ajudando fintechs e bancos a transformar compliance em inovação e vantagem competitiva.

O Open Finance representa uma das maiores transformações do sistema financeiro moderno — e em 2025, ele entra em sua fase mais valiosa: a da criação de novos modelos de negócio baseados em dados.

Empresas que enxergarem essa oportunidade agora terão vantagem real nos próximos anos. O futuro das finanças é colaborativo, inteligente e aberto.

O que é um FIDC e como ele pode impulsionar seu negócio financeiro?

O que é um FIDC?

No universo das fintechs, dos serviços financeiros embutidos (embedded finance) e das soluções baseadas em Banking as a Service (BaaS), um termo tem ganhado cada vez mais relevância: FIDC – Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.

Se você deseja entender como esse instrumento funciona, como ele se conecta ao ecossistema financeiro moderno e como pode ser uma peça-chave na estrutura de uma fintech, este artigo é para você.

O que é um FIDC?

FIDC é a sigla para Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. Na prática, trata-se de um veículo financeiro que adquire direitos creditórios – valores a receber de vendas a prazo, empréstimos, financiamentos, entre outros – e transforma isso em cotas que podem ser vendidas a investidores.

Esses fundos são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e podem ser estruturados de diversas formas, permitindo a securitização de recebíveis de maneira legal, estruturada e eficiente.

Exemplo simples de como funciona um FIDC:

Imagine uma fintech que oferece crédito pessoal digital. Em vez de esperar o pagamento das parcelas mês a mês, ela pode “vender” esses direitos de recebimento para um FIDC, recebendo o valor antecipado (com desconto) e transferindo o risco e o recebimento para o fundo.

Com isso, a fintech:

  • Ganha capital de giro imediato;
  • Reduz risco de inadimplência;
  • Pode escalar sua operação com mais agilidade.

Quais tipos de empresas usam FIDC?

FIDCs não são exclusivos de grandes bancos. Empresas de médio porte, varejistas, financeiras, startups e fintechs têm utilizado esse mecanismo para:

  • Antecipar recebíveis de vendas parceladas;
  • Financiar carteiras de crédito pessoal;
  • Monetizar contratos de prestação de serviço com pagamento recorrente;
  • Viabilizar modelos BNPL (Buy Now, Pay Later) com lastro.

Benefícios estratégicos do FIDC para fintechs

  • Escalabilidade: é possível operar uma carteira de crédito robusta sem consumir capital próprio.

  • Previsibilidade de caixa: ao vender os recebíveis, a empresa tem liquidez imediata.

  • Mitigação de riscos: o risco de inadimplência pode ser transferido parcialmente ou integralmente ao fundo.

  • Acesso ao mercado de capitais: fintechs ganham a chance de se conectar com investidores institucionais e sofisticados.

FIDC e BaaS: uma dupla poderosa

No modelo de Banking as a Service, muitas fintechs operam oferecendo crédito pessoal, crédito consignado, financiamento ou antecipação. Um FIDC pode ser o veículo que garante a liquidez dessas operações.

Empresas como a Alphacode, por exemplo, têm ajudado fintechs a integrar seus sistemas com bancos liquidantes, emissores de CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) e, claro, FIDCs parceiros. Isso viabiliza a criação de esteiras de crédito digitais completas e conectadas com o mercado de capitais.

Regulamentação e estruturação

Os FIDCs devem seguir regras da CVM, em especial a Instrução CVM nº 356/2001 (atualmente substituída pela Resolução CVM nº 160/2022). Além disso:

  • Devem ter uma administradora habilitada;
  • Contar com custodiantes e auditores independentes;
  • Possuir um regulamento detalhado que define o tipo de crédito comprado e os critérios de elegibilidade.

Dica prática para fintechs iniciantes

Se sua fintech pretende operar crédito e deseja escapar da limitação de capital próprio, conversar com um FIDC estruturado pode ser o primeiro passo para montar uma operação robusta.

E se você deseja uma estrutura tecnológica compatível, com emissão de CCB, gestão de carteiras, esteiras automatizadas, painel administrativo e integração com FIDCs — a Alphacode pode te ajudar.

Quer saber mais? Me chama no Whatsapp!

O que é o Arquivo 4111 do Banco Central e por que ele importa para sua fintech

Se você está construindo (ou já opera) uma fintech que atua com serviços financeiros regulados, especialmente com Pix, precisa conhecer esse nome: arquivo 4111.

Esse arquivo é enviado diariamente ao Banco Central do Brasil por instituições participantes diretas do arranjo Pix, e carrega os saldos contábeis de todas as contas mantidas pela instituição. Pode parecer apenas um detalhe técnico, mas é uma das engrenagens mais importantes de toda a estrutura regulatória.

Neste artigo, explico de forma prática e objetiva o que é esse arquivo, quem precisa enviar, o que ele exige e como se preparar para lidar com ele sem dor de cabeça.


Pra que serve o arquivo 4111?

Ele é uma obrigação regulatória que tem como objetivo garantir que o Banco Central tenha, diariamente, uma visão clara e estruturada dos saldos das contas operadas por instituições que atuam diretamente no Pix.

Na prática, ele funciona como um “espelho contábil” que mostra:

  • O saldo disponível e o saldo contábil de cada conta

  • A titularidade dessas contas (CPF/CNPJ)

  • O tipo de conta (transacional, técnica, garantidora etc.)

  • O status atual da conta (ativa, bloqueada, encerrada)

Tudo isso precisa estar preciso e validado, dentro do modelo XML definido pelo BCB.


Quem precisa enviar?

Esse arquivo é obrigatório para instituições que:

  • São participantes diretos do Pix

  • Atuam como liquidantes

  • Mantêm contas de pagamento ou contas transacionais

  • Têm conta de liquidação ou reserva no Bacen

Ou seja, se sua operação inclui manter saldo segregado, você precisa prestar contas todo dia.


Como é o envio?

  • Formato: XML, validado por um schema XSD oficial

  • Canal: Sistema de Transferência de Arquivos (STA)

  • Frequência: Diária

  • Prazo: Até as 8h30 da manhã do dia seguinte à data de referência

  • Nome técnico: Documento 4111 – Saldos Contábeis Diários


E o que acontece se eu não enviar?

Simples: você está descumprindo uma obrigação regulatória, e isso pode gerar:

  • Advertências formais

  • Multas administrativas

  • Risco de suspensão ou sanção da sua operação

  • Problemas com bancos parceiros, PSTIs e credores

Além disso, vale lembrar que o Banco Central pode cruzar os dados enviados com o que está registrado no SPI e no DICT. Ou seja, inconsistência pega mal.


Como estruturar isso do jeito certo

Você precisa garantir que o seu sistema:

✅ Mantenha saldo contábil e disponível separados

✅ Identifique cada conta com um ID único + CPF/CNPJ

✅ Atualize os saldos corretamente a cada movimentação

✅ Gera o XML automaticamente com base em dados reais

✅ Valide o arquivo com o schema XSD antes do envio

✅ Mantenha trilha de auditoria para cada versão enviada


Lá na Alphacode, resolvemos isso com o Mosaico Banking

Nossa solução de core bancário modular já vem pronta para lidar com todas essas exigências. Temos estrutura de saldo segregado, APIs para controle contábil e relatórios que batem direto com o que o BCB exige.

Inclusive, vários dos nossos clientes já usam essa estrutura para estar em conformidade com o envio do 4111, APIX001 e outros arquivos regulatórios.

Se você quer montar sua fintech com responsabilidade técnica e visão de longo prazo, essa estrutura precisa estar desde o começo.

Se quiser conversar sobre isso, é só me chamar.

O Que é uma Conta Escrow? Entenda o Conceito e Como Aplicá-lo no Seu Negócio

Se você já ouviu o termo Conta Escrow e não entendeu exatamente do que se trata, fique tranquilo — este artigo é para você. Vamos explicar de forma simples o que é essa ferramenta financeira, por que ela é cada vez mais usada em negócios digitais e como ela pode trazer segurança para operações que envolvem terceiros.

O que é uma Conta Escrow?

A conta escrow (ou conta de custódia, em português) é uma conta criada para manter recursos financeiros “em espera” até que uma condição pré-determinada entre duas partes seja cumprida. A conta funciona como uma espécie de intermediário imparcial.

Imagine que você está comprando um imóvel ou contratando um serviço caro. Você faz o pagamento, mas o valor não vai direto para a conta do vendedor — ele fica depositado na conta escrow. Assim que todas as condições forem cumpridas (como entrega do imóvel ou finalização do serviço), o valor é liberado para o recebedor.

Conta Escrow

Por que usar uma Conta Escrow?

A principal vantagem da conta escrow é a segurança que ela traz para ambas as partes da negociação. Veja alguns benefícios práticos:

  • 🔒 Protege o comprador, que só libera o pagamento após a confirmação da entrega ou do serviço prestado.

  • 🛡 Protege o vendedor, garantindo que o valor já está reservado.

  • Reduz disputas e conflitos, já que as regras de liberação são claras e documentadas.

  • Traz previsibilidade para negócios complexos, especialmente em contratos longos ou personalizados.

Onde as Contas Escrow são Usadas?

Apesar de parecer algo distante, o modelo de conta escrow já está bastante presente no nosso dia a dia — especialmente em soluções digitais. Alguns exemplos:

  • Marketplaces de serviços: plataformas como Upwork ou 99Freelas usam contas escrow para segurar o valor do contratante até que o freelancer entregue o projeto.

  • Compra e venda de imóveis ou veículos: para garantir que todas as etapas do contrato sejam cumpridas.

  • Plataformas de crowdfunding ou pré-venda: o dinheiro fica guardado até que a meta do projeto seja atingida.

  • Modelos de Fintechs: em soluções white-label de crédito, seguros ou garantias, o escrow garante que o dinheiro só será transferido após validações.

Como funciona tecnicamente?

Do ponto de vista bancário ou de uma infraestrutura BAAS (Banking as a Service), a conta escrow pode ser criada por uma instituição de pagamento, banco ou fintech regulada, e configurada com regras de liberação pré-determinadas. Ela pode até ser integrada via API, como acontece em muitas soluções modernas.

Em geral, o controle da liberação dos fundos é feito por:

  • Eventos de sistema (ex: aprovação de entrega)

  • Liberação manual por ambas as partes

  • Data ou condição contratual

Existe regulamentação para conta escrow?

No Brasil, o termo escrow ainda não possui uma regulamentação específica como acontece em outros países, mas sua aplicação é respaldada juridicamente por meio de contratos privados, desde que esteja alinhada às normas do Banco Central e do Código Civil.

Algumas fintechs e bancos oferecem esse recurso de forma adaptada via contas de pagamento com lógica de retenção.

É possível implementar conta escrow na sua fintech?

Sim. Se o seu modelo de negócio envolve intermediação de pagamentos entre partes, ou operações com risco de não cumprimento, uma solução com conta escrow pode aumentar a confiança e destravar mais vendas.

Aqui na Alphacode, temos ajudado empresas a criarem esse tipo de arquitetura, com controle por API, dashboard administrativo e integração com diversos bancos liquidantes.

Se você está avaliando implantar uma solução de conta escrow no seu negócio, a AlphacodePay pode te ajudar. Temos uma infraestrutura robusta, preparada para atender empresas que precisam garantir segurança, confiança e rastreabilidade nas transações entre múltiplas partes. Fale com nosso time e conheça a solução ideal para seu modelo de negócio.


Quer entender se uma conta escrow pode fazer sentido para o seu negócio?

Eu sou Rafael Franco, fundador da Alphacode, e estou à disposição para conversar.

Você pode me chamar no WhatsApp (ícone no canto do site) ou me seguir no Instagram para acompanhar mais conteúdos como esse.

Segurança no Banking as a Service: o que você precisa considerar antes de lançar sua fintech

Quando falamos de segurança no BAAS, não estamos tratando apenas de firewall ou criptografia. Trata-se da confiança do seu cliente na operação — e da sobrevivência da sua fintech.

Nos últimos anos, o modelo de Banking as a Service (BAAS) tem viabilizado uma nova geração de empresas oferecendo serviços financeiros sob medida — sem precisar montar um banco tradicional. É um modelo poderoso, flexível e estratégico para varejistas, marketplaces, plataformas e fintechs.

seguranca no baas

Mas junto com a oportunidade, vem a responsabilidade. E tem um ponto que, infelizmente, ainda é negligenciado por muitos empreendedores que querem entrar nesse mercado: a segurança da informação.

Nesse artigo, eu quero abordar esse tema com profundidade — trazendo uma visão realista sobre os riscos, as boas práticas e, principalmente, o papel da rastreabilidade como elemento-chave em qualquer projeto sério de BAAS.


BAAS lida com dinheiro e dados críticos. Isso muda tudo.

Quando você cria um app de delivery, um e-commerce ou uma plataforma de serviços, os riscos estão principalmente na performance, na experiência do usuário e na operação.

Agora, quando você cria uma fintech — ainda que operando em modelo white-label com apoio de parceiros — você passa a lidar com:

  • Saldos de contas vinculadas ao CPF do cliente

  • Transações financeiras com valores reais

  • Dados de documentos, contratos e autorizações

  • Pix, boletos, CCBs e até limites de crédito

  • Processos de autenticação, senha e segurança

Não importa se a liquidação é feita por um banco parceiro ou se o app foi desenvolvido sob licença: a responsabilidade sobre a integridade dos dados e a segurança da operação é sua.


Quais são os riscos mais comuns em soluções BAAS?

Se eu tivesse que listar os erros mais recorrentes que vejo em projetos que tentam “cortar caminho”, eles seriam:

  • Falta de controle de acesso por perfil (qualquer pessoa acessa tudo)

  • Ausência de autenticação em APIs sensíveis

  • Dados de saldo armazenados em cache, sem consistência transacional

  • Falta de logs detalhados e rastreáveis

  • Backups inexistentes ou manuais

  • Deploys em servidores compartilhados, sem isolamento por instância

  • Requisições vulneráveis a manipulação direta (testes com Postman revelam falhas)

E o pior: boa parte desses problemas só aparece quando o negócio começa a escalar. Quando chegam mil usuários, o sistema quebra. E aí a confiança já foi embora.

Segurança no BAAS vai além da tecnologia: trata-se de responsabilidade

Muita gente pensa que segurança é só “proteger contra hackers”. Mas na prática, a maior parte dos problemas reais que uma fintech enfrenta são operacionais, e não ataques externos.

É por isso que eu sempre bato na tecla da rastreabilidade. Um sistema financeiro sem rastreabilidade é uma bomba-relógio.

Você precisa ser capaz de responder perguntas como:

  • Quem iniciou essa transação?

  • Que IP acessou essa conta?

  • Quem alterou o status desse pagamento?

  • Essa operação foi processada quando? Por quem?

  • Houve rollback? Por quê?

Isso não serve só para auditoria. Serve para que você possa confiar na sua própria operação. E para que os parceiros e reguladores confiem também.


O que é uma boa rastreabilidade em projetos BAAS?

  • Cada movimentação de saldo deve gerar um log completo com ID do usuário, horário exato e parâmetros da requisição

  • As trilhas de auditoria devem ser armazenadas fora do ambiente de produção (por exemplo, em serviços de log criptografado ou banco separado)

  • Operações críticas (alteração de dados, reversões, estornos) devem ter autenticação reforçada e logs assinados

  • Integrações com PSTIs, bancos liquidantes e parceiros de crédito devem ser documentadas e monitoradas

  • Logs devem ser imutáveis, criptografados e auditáveis

A rastreabilidade é a linha que separa uma fintech confiável de uma operação frágil.


Como tratamos isso na Alphacode

Na Alphacode, a gente não entrega apenas um “sistema com tela bonita”. A gente entrega a estrutura que sustenta operações financeiras robustas, escaláveis e com total responsabilidade técnica.

O nosso Mosaico Banking é um core bancário modular que já vem com:

  • Controles de acesso por perfil e por rota

  • Logs detalhados por tipo de transação

  • Backup automático com replicação segura

  • Ambiente separado por cliente, com isolamento real

  • Integração com PSTIs homologadas

  • Conectividade com sistemas como SPI, DICT, CIP e registradoras

Além disso, a gente entende que o projeto precisa atender não só à parte técnica, mas também aos padrões esperados por bancos parceiros, auditorias e reguladores.


Conclusão

Montar uma fintech ou oferecer serviços financeiros em sua empresa é uma oportunidade real de gerar receita recorrente, fidelização e inovação. Mas essa oportunidade exige maturidade técnica.

Não dá para brincar com dados de pagamento.

E se você está nesse caminho, eu recomendo fortemente começar sua estrutura com rastreabilidade, segurança e controle. Porque escalar com base em improviso pode custar muito caro depois.

Se quiser trocar ideias sobre seu projeto, entender melhor como o Mosaico pode ser implantado com segurança ou revisar a arquitetura da sua fintech, é só me chamar.

Vai ser um prazer ajudar.