Debêntures no funding de fintechs: por que esse tema é central para quem quer escalar

Quando alguém decide criar uma fintech, normalmente pensa primeiro no produto, depois na tecnologia e só então no dinheiro. Na prática, essa ordem quase sempre está invertida. Em fintechs, o funding não é consequência do crescimento. Ele é parte estrutural do negócio.

Empresas que atuam com crédito, pagamentos, antecipação de recebíveis ou modelos de Banking as a Service dependem de capital para funcionar. Diferente de um SaaS tradicional, onde o crescimento acontece principalmente por aquisição de clientes, uma fintech só cresce se tiver dinheiro disponível para operar. É exatamente nesse ponto que as debêntures começam a fazer sentido.

Nos últimos anos, esse instrumento deixou de ser exclusivo de grandes corporações e passou a fazer parte do radar de fintechs mais maduras, que buscam crescer sem abrir mão do controle do negócio.

O problema do funding quando a fintech começa a crescer

No início, quase toda fintech nasce com capital próprio dos fundadores ou com algum investimento anjo. Isso funciona bem para validar o produto, testar o modelo e conquistar os primeiros clientes. O problema surge quando o negócio começa a escalar.

Nesse momento, aparecem três caminhos clássicos: buscar novos investidores, recorrer a bancos ou estruturar o funding via mercado de capitais. Cada um deles traz implicações importantes.

A entrada de investidores acelera o crescimento, mas dilui a participação dos fundadores. Em muitos casos, essa diluição acontece cedo demais. Já os bancos tradicionais costumam ter dificuldade em entender modelos financeiros inovadores, exigindo garantias e estruturas que nem sempre fazem sentido para fintechs.

É nesse espaço entre o equity e o crédito bancário que as debêntures ganham relevância.

Afinal, o que é uma debênture

Debênture é, essencialmente, uma forma de captação de recursos no mercado de capitais. A empresa emite um título de dívida, investidores compram esse título e, em troca, recebem juros ao longo do tempo e o valor investido no vencimento.

O ponto central é que o investidor não se torna sócio da empresa. Ele se torna credor. Isso muda completamente a lógica da relação.

Para a fintech, isso significa acesso a capital sem diluição societária. Para o investidor, significa previsibilidade de retorno e risco calculado, desde que a operação seja bem estruturada.

Por que debêntures se encaixam tão bem em fintechs

Fintechs que operam com crédito ou pagamentos costumam ter algo muito valioso: previsibilidade de fluxo financeiro. Carteiras de recebíveis, contratos recorrentes e modelos bem definidos permitem estruturar operações de dívida com mais segurança.

Além disso, o custo do capital captado via debêntures pode ser mais competitivo do que linhas bancárias tradicionais, especialmente quando a empresa já possui governança mínima, controles financeiros organizados e um modelo de negócio claro.

Outro ponto importante é a maturidade que esse tipo de operação exige. Emitir uma debênture força a fintech a organizar processos, melhorar transparência e adotar práticas de governança que, cedo ou tarde, seriam necessárias de qualquer forma.

O momento certo para pensar em debêntures

Debêntures não são uma solução para o estágio inicial. Uma fintech ainda em fase de ideia ou MVP precisa focar em validação, produto e aderência ao mercado. Nesse momento, falar em mercado de capitais é prematuro.

Esse instrumento começa a fazer sentido quando o negócio já roda, possui histórico operacional, gera receita e consegue demonstrar previsibilidade. É quando a conversa deixa de ser “ideia promissora” e passa a ser “operação estruturada”.

Pular etapas costuma ser um erro caro.

O erro estratégico que muitos fundadores cometem

Um dos erros mais comuns é pensar no funding apenas quando o dinheiro acaba. O correto é exatamente o oposto. O modelo de funding precisa ser considerado desde o desenho inicial da fintech.

A arquitetura tecnológica, o modelo jurídico, a forma como o dinheiro circula na operação e até as integrações escolhidas impactam diretamente a viabilidade de uma debênture no futuro. Corrigir isso depois costuma ser mais caro, mais lento e mais arriscado.

Fintechs bem-sucedidas não improvisam funding. Elas planejam.

O que vem a seguir nesta série

Nos próximos artigos, vou aprofundar como debêntures se comparam a outros instrumentos usados por fintechs e securitizadoras, como FIDCs e estruturas de securitização. Também vou mostrar como essas operações são estruturadas na prática, quais riscos precisam ser observados e para onde esse mercado está caminhando.

A ideia é tirar o tema do discurso técnico e trazer para a realidade de quem está construindo um negócio de verdade.

Quer estruturar sua fintech do jeito certo desde o início?

Se você está pensando em criar uma fintech ou já iniciou sua operação e sente que o modelo financeiro ainda não está claro, uma boa estruturação no começo faz toda a diferença.

Eu atuo com consultoria estratégica para criação e estruturação de fintechs, ajudando fundadores a alinhar tecnologia, modelo de negócio e funding desde o primeiro passo. O objetivo não é apenas colocar a fintech de pé, mas prepará-la para crescer de forma sustentável.

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Uma fintech sólida não nasce por acaso. Ela é construída com decisões certas no início.

FIDCs: a ponte entre liquidez e crescimento para fintechs e empresas financeiras

No ecossistema financeiro brasileiro, a busca por liquidez, escala e estabilidade operacional é um desafio constante. Para fintechs e empresas de crédito, operar com eficiência significa encontrar mecanismos capazes de sustentar o crescimento sem comprometer o caixa ou aumentar o risco da operação. É nesse cenário que os FIDCs assumem um papel estratégico.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios se tornaram uma das engrenagens mais relevantes do mercado, movimentando mais de 1,5 trilhão de reais por ano segundo levantamentos recentes. Mesmo assim, continuam sendo pouco compreendidos fora do círculo especializado. O fato é que, para quem atua com crédito, entender como esse instrumento funciona pode representar uma vantagem competitiva real.

O que é um FIDC e como ele funciona

De forma simples, um FIDC é um fundo que compra direitos creditórios. Esses créditos representam valores que uma empresa tem a receber no futuro, como faturas, duplicatas, contratos de financiamento, mensalidades, empréstimos e outros recebíveis.

Ao vender esses direitos ao fundo, a empresa transforma recebíveis futuros em dinheiro imediato. O FIDC passa a administrar essa carteira e receber os pagamentos à medida que os clientes quitam suas dívidas.

Isso gera um cenário de ganho para ambos os lados.

• A empresa obtém liquidez para operar e crescer

• O fundo captura rendimento ao antecipar recebíveis com desconto

• O risco é mitigado por estruturas de governança e critérios de seleção da carteira

Para fintechs que trabalham com crédito, esse mecanismo representa agilidade e capacidade concreta de expansão.

Por que fintechs dependem desse modelo

Fintechs, ao contrário de instituições tradicionais, normalmente começam com capital limitado e precisam provar seu modelo rapidamente. Isso significa que a cada contrato de crédito concedido, parte do seu capital fica imobilizado até que os clientes paguem.

Sem escala financeira, o negócio trava.

Os FIDCs resolvem exatamente esse ponto, permitindo que fintechs:

• Ganhem liquidez imediata

• Reinvistam rapidamente em novos contratos

• Reduzam exposição ao risco da carteira

• Cresçam sem depender apenas de capital próprio

É um motor silencioso por trás das operações que crescem de forma acelerada e sustentável.

Onde a tecnologia entra nessa equação

Nenhuma estrutura de FIDC funciona bem sem tecnologia sólida. Da seleção dos recebíveis à governança da carteira, tudo depende de dados e processos confiáveis.

Para funcionar com eficiência, um FIDC exige:

• Sistemas que organizem e validem recebíveis

• Integrações com instituições financeiras e bureaus

• Automação de fluxos operacionais

• Análises de risco em tempo real

• Monitoramento contínuo das carteiras cedidas

• Relatórios completos e auditáveis

• Compliance rígido com normas do mercado

É aqui que plataformas financeiras robustas se tornam essenciais. Uma infraestrutura bem desenhada traz eficiência para o gestor do fundo e segurança para a fintech que cede seus recebíveis.

Como a Alphacode apoia esse ecossistema

Com experiência no desenvolvimento de plataformas financeiras, operações BaaS e soluções completas para o setor, a Alphacode entende que a tecnologia é o pilar que sustenta esse modelo.

As soluções da vertical Finance podem apoiar fintechs e empresas de crédito oferecendo módulos como:

• Originação e gestão de contratos

• Análise de risco e score

• KYC, KYB e verificações de compliance

• Automação de fluxos financeiros

• Gestão de carteiras e recebíveis

• Integrações com bancos, adquirentes e sistemas de liquidação

• Painéis gerenciais para acompanhamento do fundo

Ao combinar uma arquitetura sólida com processos confiáveis, criamos a base tecnológica para operações de crédito que precisam de segurança, velocidade e governança.

FIDCs e o futuro das operações financeiras

À medida que o mercado amadurece, modelos que combinam instrumentos financeiros como FIDCs com tecnologia moderna se tornam essenciais. Eles viabilizam crescimento, reduzem risco e permitem que fintechs atuem com eficiência em um setor cada vez mais competitivo.

Para quem opera crédito, compreender o potencial dos FIDCs é uma forma de enxergar caminhos estratégicos para escalar o negócio sem abrir mão de previsibilidade e controle.

Se você atua no setor financeiro e deseja explorar soluções tecnológicas que apoiem esse tipo de operação, a Alphacode pode ajudar. Será um prazer conversar sobre como levar sua operação para o próximo nível.

Cédula de Crédito Bancário (CCB): como funciona e por que é essencial para operações de crédito

Se você já se sentiu perdido em meio a siglas como CDB, CDI, LCI ou LCA, não está sozinho. Na hora de financiar clientes ou captar recursos, existe uma modalidade que vem ganhando cada vez mais destaque: a Cédula de Crédito Bancário (CCB). Ela é um título de crédito que formaliza um empréstimo ou financiamento entre uma pessoa física ou jurídica e uma instituição financeira. A CCB representa uma promessa de pagamento e confere força jurídica ao contrato .

O que é uma Cédula de Crédito Bancário?

A CCB é um título de crédito emitido por pessoa física ou jurídica em favor de uma instituição financeira, decorrente de qualquer modalidade de operação de crédito . Em outras palavras, ela formaliza a dívida, define prazos e juros e estabelece garantias. Ela foi criada pela Lei nº 10.931/2004 e ganhou relevância no mercado de crédito por ser um instrumento simples, ágil e com força executiva: em caso de inadimplência, o credor pode cobrar a dívida diretamente, sem processos longos .

Principais características

  • Emissão física ou digital: a CCB pode ser emitida em papel ou de forma eletrônica, com assinatura digital, o que dá agilidade e segurança .

  • Garantias variadas: podem ser exigidas garantias reais (como imóvel ou veículo) ou fidejussórias (fiadores), mas há operações sem garantia formal .

  • Transferibilidade: o título pode ser cedido a terceiros, mesmo que não sejam instituições financeiras, desde que o credor original concorde .

  • Moeda nacional ou estrangeira: a CCB também pode ser usada em transações internacionais, o que aumenta a concorrência e reduz o custo do crédito .

  • Registro opcional: o documento pode ser registrado em entidades autorizadas, como a B3, garantindo transparência e facilitando a negociação do ativo .

Como funciona a emissão de uma CCB?

A emissão segue etapas simples:

  1. Análise de crédito – a instituição avalia o histórico do tomador e define se haverá exigência de aval ou garantia .

  2. Definição dos termos – valor emprestado, taxa de juros (fixa ou indexada), prazos e garantias .

  3. Formalização – a CCB deve conter elementos obrigatórios: identificação das partes, valor do crédito, taxa de juros, prazos de pagamento, condições de inadimplência e assinaturas .

  4. Registro e liberação – após a assinatura, a CCB pode ser registrada em cartório ou em entidades como a B3, e os recursos são liberados ao tomador .

Por ter valor probatório elevado, a CCB permite que a instituição financeira execute o contrato de forma rápida caso o devedor não pague . Assim, as taxas de juros costumam ser menores do que em contratos tradicionais.

Por que a CCB é essencial em operações de crédito?

A Cédula de Crédito Bancário tornou‑se indispensável para instituições financeiras e fintechs de crédito por vários motivos:

  • Segurança jurídica – o título reduz o risco para o credor e oferece segurança para negociar créditos no mercado .

  • Agilidade e simplicidade – a emissão é rápida e com menos burocracia, o que agiliza a liberação do dinheiro .

  • Versatilidade – a CCB serve para diversas modalidades de crédito, como pessoal, consignado, financiamento de veículos, microcrédito, crédito rural e imobiliário .

  • Transferibilidade – permite a cessão do título a terceiros e possibilita securitização e acesso a novos investidores .

  • Flexibilidade cambial – pode ser emitida em moeda estrangeira, permitindo operações internacionais .

Quando utilizar uma CCB?

Empresas e empreendedores podem usar a CCB em várias situações. Além dos empréstimos tradicionais, ela serve para:

  • Financiar investimentos – capital de giro, expansão, reformas ou compra de equipamentos.

  • Antecipar recebíveis – lojas ou marketplaces podem emitir CCBs lastreadas em contratos de vendas e cedê‑las a fundos, recebendo à vista.

  • Operações consignadas – professores, servidores ou aposentados podem contratar CCB consignada com taxas mais baixas .

Para cada uma dessas finalidades, a CCB se adapta às necessidades do tomador e do credor, desde pequenos empréstimos até grandes financiamentos .

CCB e fintechs de crédito

Para fintechs que operam crédito próprio, a CCB é o instrumento jurídico padrão para formalizar as operações de empréstimo. Ela oferece:

  • Integração via API com plataformas de registro, como a B3 .

  • Escalabilidade – é possível agrupar várias CCBs em um Certificado de Cédulas de Crédito Bancário (CCCB) e securitizar a carteira .

  • Conformidade regulatória – por ser prevista em lei, atende às exigências do Banco Central e facilita auditorias.

Plataformas como o MOSAICO Finance automatizam a emissão de CCBs, controlam parcelas e cobranças e fornecem relatórios em tempo real, evitando que a empresa crie toda a infraestrutura do zero.

Conclusão: por que adotar a Cédula de Crédito Bancário?

A CCB é mais do que um contrato; ela é a base que sustenta o crescimento do crédito privado no Brasil. Por ser flexível, juridicamente segura e fácil de emitir, tornou‑se a escolha natural para fintechs de crédito, bancos e empresas que desejam financiar clientes ou captar recursos. Se você pretende operar crédito de forma profissional, entender e utilizar a CCB é fundamental.