Banco Central proibiu fintech de usar o termo “Bank”? Entenda o que mudou e como isso impacta sua empresa

Imagine o seguinte cenário.

Você cria uma fintech inovadora. Constrói uma marca forte. Registra domínio, redes sociais, investe em branding. E então descobre que talvez não possa usar a palavra “Bank” no nome.

Parece exagero?

Mas não é.

O Banco Central do Brasil publicou uma normativa que restringe o uso de termos como “banco” e “bank” por empresas que não possuem autorização específica para funcionar como banco.

Neste artigo, vou explicar de forma simples:

  • O que a norma realmente diz
  • Quem pode ou não usar o termo “bank”
  • O que acontece se a empresa já usa
  • Como isso impacta fintechs, IPs e SCDs
  • E o que você deve avaliar antes de escolher o nome da sua fintech

O que diz a norma do Banco Central sobre o uso da palavra “Bank”?

A Resolução Conjunta nº 17/2025 do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional estabelece que:

Instituições não autorizadas a funcionar como banco não podem utilizar termos que induzam o público a acreditar que são bancos.

Isso vale para:

  • Nome empresarial
  • Nome fantasia
  • Marca
  • Domínio de internet
  • Comunicação publicitária

Ou seja, não é apenas uma questão societária. É uma questão de como a empresa se apresenta ao mercado.

Quem pode usar “Bank” no nome?

Somente instituições que tenham autorização específica do Banco Central para funcionar como banco, como por exemplo:

  • Banco múltiplo
  • Banco comercial
  • Banco de investimento

Se a sua empresa for:

  • Instituição de Pagamento (IP)
  • Sociedade de Crédito Direto (SCD)
  • Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP)
  • Correspondente bancário
  • Fintech estruturada sob outro tipo societário regulado

E não tiver licença bancária, o uso do termo pode ser considerado irregular.

Mas muitas fintechs usam “Bank”. Como fica?

A norma prevê prazo de adequação para quem já utiliza o termo.

As empresas afetadas devem:

  1. Apresentar plano de adequação ao Banco Central
  2. Ajustar nome e comunicação dentro do prazo estipulado

Além disso, há exceções para conglomerados financeiros que possuam banco autorizado dentro do grupo econômico.

Cada caso precisa ser analisado de forma técnica.

Por que o Banco Central criou essa regra?

O objetivo principal é evitar confusão do consumidor.

Quando alguém vê a palavra “Bank”, a expectativa é clara:

  • Depósito protegido pelo FGC
  • Regulação bancária completa
  • Supervisão específica
  • Exigências prudenciais próprias de banco

Nem toda fintech está submetida ao mesmo nível de exigência regulatória que um banco tradicional.

A norma busca preservar transparência e segurança jurídica.

O impacto real para quem quer abrir uma fintech

Essa regra muda principalmente três coisas:

1. Branding estratégico

O nome da fintech não é apenas marketing. É regulação.

Escolher um nome sem avaliar a estrutura regulatória pode gerar:

  • Necessidade de rebranding
  • Perda de investimento em marca
  • Ajustes contratuais
  • Problemas com domínio e propriedade intelectual

2. Planejamento societário

Antes de decidir o nome, é preciso decidir:

  • Qual licença você terá
  • Se haverá banco no grupo
  • Se será IP, SCD ou outra estrutura
  • Se haverá parceria com banco liquidante

Muitos empreendedores escolhem o nome antes de definir a arquitetura regulatória. Esse é um erro estratégico.

3. Comunicação ao mercado

Mesmo que o nome não contenha “bank”, a forma como você comunica seus serviços também pode gerar questionamento regulatório.

A regulação olha para substância, não apenas para forma.

O que fazer antes de registrar o nome da sua fintech

Se você está estruturando uma fintech, recomendo avaliar:

  • Modelo regulatório
  • Estrutura societária
  • Necessidade ou não de licença própria
  • Parcerias bancárias
  • Posicionamento de marca
  • Riscos regulatórios de comunicação

Fintech não é apenas tecnologia. É tecnologia + regulação + arquitetura financeira.

E esses três pilares precisam nascer juntos.

Minha visão como especialista em tecnologia para fintechs

Ao longo dos últimos anos, estruturamos dezenas de projetos no segmento financeiro.

O que aprendi é simples:

Inovação só é sustentável quando é construída sobre bases sólidas.

No mercado financeiro, isso significa:

  • Engenharia robusta
  • Segurança
  • Compliance desde o início
  • Arquitetura pensada para escala
  • E alinhamento regulatório desde o primeiro desenho

Muitos problemas que aparecem no futuro começam na escolha errada do modelo no início.

Está criando uma fintech ou revisando sua estrutura?

Se você:

  • Quer lançar uma fintech
  • Está estruturando uma IP ou SCD
  • Deseja migrar para licença própria
  • Precisa revisar marca e enquadramento regulatório
  • Ou quer construir uma fintech sólida desde o início

Eu posso te ajudar.

Atuo na estruturação estratégica e tecnológica de fintechs, conectando:

  • Regulação
  • Arquitetura de software
  • Modelo de negócio
  • Escalabilidade

Antes de investir em marca, tecnologia ou marketing, vale fazer a pergunta certa:

Sua fintech está juridicamente alinhada com o que comunica ao mercado?

Se quiser conversar, me envie uma mensagem. Vamos estruturar isso da forma correta.

O que é uma PSTI no contexto do Banco Central?

No mundo das fintechs e dos serviços financeiros digitais, não basta apenas ter uma boa ideia ou um app funcional. Existe uma camada crítica por trás de toda operação regulada que precisa ser sólida, auditável e em conformidade com as normas do Banco Central. Essa camada é, muitas vezes, operada por uma PSTI — Prestadora de Serviços de Tecnologia da Informação.

Se você está envolvido com a criação de um banco digital, carteira, sistema de crédito ou qualquer outra operação que demande integração com Pix, contas ou liquidação de pagamentos, é essencial entender esse conceito.

Afinal, o que é uma PSTI?

PSTI é a sigla usada pelo Banco Central para classificar empresas que prestam serviços tecnológicos críticos a instituições financeiras ou de pagamento. Isso inclui, por exemplo:

  • Operação técnica do Pix e do SPI

  • Gerenciamento de chaves e comunicação com o DICT

  • Processamento de boletos via CIP

  • Assinatura digital de mensagens financeiras

  • Manutenção de redes, servidores e ambientes regulatórios

A PSTI atua como a “responsável técnica” por manter no ar os sistemas que conectam sua fintech com o restante do sistema financeiro nacional.

O Banco Central exige que toda instituição regulada que terceiriza a operação de seus sistemas essenciais registre essa relação formalmente, reconhecendo o papel da PSTI contratada.

Por que o Banco Central exige isso?

Porque o sistema financeiro não pode correr riscos operacionais sem controle.

Imagine o que aconteceria se uma fintech deixasse de funcionar por falha em servidores, perda de dados ou má gestão da segurança? O impacto não seria só interno, mas poderia afetar a confiança do consumidor no ecossistema como um todo.

Por isso, o Bacen define requisitos mínimos que uma empresa deve atender para ser considerada PSTI:

  • Infraestrutura redundante com alta disponibilidade

  • Política de segurança da informação formalizada

  • Proteção de chaves criptográficas (HSM)

  • Monitoramento contínuo dos serviços

  • Plano de continuidade e recuperação de desastres

  • Aderência técnica aos manuais do SPI, DICT, SPB, RSFN e CIP

Não se trata apenas de “ter um servidor rodando”. Trata-se de garantir estabilidade, segurança e rastreabilidade para movimentações financeiras.

Onde a Alphacode se posiciona nesse cenário?

Na Alphacode, desenvolvemos o Mosaico Banking, uma plataforma de Core Bancário que atende fintechs, bancos digitais e projetos financeiros de alta complexidade.

É importante esclarecer que a Alphacode não atua como PSTI diretamente, ou seja, não é a responsável pela infraestrutura de integração com o Banco Central.

O que fazemos é entregar o núcleo do sistema — o software que controla as contas, movimentações, CCBs, liquidações e integrações do seu banco digital — já pronto para se conectar a uma PSTI homologada.

Ou seja, o Mosaico Banking se integra de forma nativa às principais PSTIs autorizadas pelo Bacen, garantindo que a operação dos nossos clientes esteja em conformidade com os padrões técnicos e operacionais exigidos.

Esse modelo traz o melhor dos dois mundos: a agilidade e a personalização da Alphacode com a robustez e a segurança de parceiros especialistas em infraestrutura regulatória.


Conclusão

Se você está montando uma operação financeira séria, não tem como fugir da responsabilidade técnica — e entender o papel de uma PSTI é parte essencial dessa jornada.

Seja como contratante direto de uma PSTI ou usando uma solução como o Mosaico Banking integrada a parceiros homologados, o ponto é o mesmo: você precisa estar em conformidade com o que o Banco Central exige.

Na Alphacode, trabalhamos todos os dias para que nossos clientes possam crescer com tecnologia de ponta, usabilidade moderna e uma base sólida para operar com segurança.

Se quiser conversar mais sobre isso, tirar dúvidas sobre estrutura regulatória ou entender como montar sua fintech do zero com segurança e escalabilidade, me chama. Vai ser um prazer trocar ideias.