A fila do caixa que ajudou a mudar a história da Alphacode

Muita gente me pergunta como a Alphacode conseguiu chegar a um ponto em que atendemos mais de 10 das 20 maiores redes de Food do Brasil.

A resposta não começa com um planejamento estratégico, uma campanha comercial ou uma decisão de criar uma vertical especializada em Food.

Começa em 2018.

E, curiosamente, passa pela fila do caixa de um supermercado.

Nosso primeiro grande desafio em Food

No início de 2018, a Alphacode foi convidada para participar de uma concorrência do Habib’s.

Naquele momento, éramos uma software house muito especializada no desenvolvimento de aplicativos e o Habib’s estava buscando um parceiro para construir seus novos canais digitais.

Era uma oportunidade enorme para nós.

O Habib’s já tinha uma das maiores operações de delivery do Brasil e estava entre as redes de maior relevância dentro do iFood naquele período.

Mas havia um pequeno detalhe:

Não éramos os únicos interessados.

Cerca de dez empresas participavam da concorrência.

Foram meses de reuniões, conversas, apresentações e etapas de seleção.

Até que chegamos à última semana de 2018.

Restavam três fornecedores.

Eu queria apresentar por último

Quando chegou a etapa final, fiz um pedido.

Queria ser o último dos três fornecedores a apresentar.

Não foi por acaso.

Eu acreditava que, apresentando por último, conseguiria deixar a impressão mais recente na cabeça dos decisores e, principalmente, sentir melhor como eles estavam reagindo à nossa proposta.

A reunião aconteceu em uma sexta-feira à tarde.

Entre as pessoas presentes estava Mauro Saraiva, CEO do Habib’s naquela época.

Nossa apresentação durou mais de duas horas.

Foi uma ótima reunião.

Saí de lá com aquela sensação de que tínhamos feito tudo o que podíamos fazer.

Agora não estava mais nas nossas mãos.

Eles nos disseram que tomariam uma decisão até segunda-feira.

Fui para casa esperar.

No domingo, minha esposa pediu pão

Dois dias depois aconteceu uma daquelas coincidências que, se alguém colocasse em um roteiro, talvez parecesse forçado demais.

Era domingo e minha esposa me pediu para ir ao supermercado comprar pão.

Fui ao Pão de Açúcar. Fiquei demorando além do normal…

E, na fila do caixa, encontrei justamente o Mauro.

Ele estava com a esposa e os filhos.

A reunião havia acontecido na sexta-feira. A decisão seria tomada na segunda.

E nós dois estávamos ali, por puro acaso, no mesmo supermercado.

Mas tinha mais.

Quando nos encontramos, ele estava conversando justamente sobre o aplicativo do Pão de Açúcar.

Ele me viu e comentou algo como:

“Olha, a gente estava falando disso ontem na reunião.”

Pronto.

Minha cabeça de vendedor entrou em ação novamente.

Começamos a conversar sobre aquilo e eu imediatamente conectei o que ele estava observando no aplicativo com a solução que tínhamos apresentado para o Habib’s.

Expliquei por que determinada situação não aconteceria no aplicativo deles, como tínhamos pensado aquele problema e como pretendíamos resolvê-lo.

A apresentação de sexta-feira, de certa maneira, continuou ali.

Sem PowerPoint.

Sem sala de reunião.

Na fila do pão.

Nos despedimos e fui para casa.

Na segunda-feira veio a resposta

Na segunda ou terça-feira, recebemos o contato:

A Alphacode havia vencido a concorrência.

Na época, eu não tinha como saber quanto aquele encontro no supermercado havia pesado na decisão.

Anos depois, porém, funcionários do próprio Habib’s me contaram uma história que nunca esqueci.

Naquela segunda-feira, Mauro chegou à empresa contando que havia me encontrado por acaso na fila do pão.

E comentou que aquilo devia ser algum tipo de sinal de que deveriam fazer o projeto com a gente.

Sempre achei essa história fantástica.

Mas seria muito injusto com tudo o que aconteceu antes e depois dizer que ganhamos o Habib’s porque encontrei o CEO no supermercado.

A sorte nos colocou na mesma fila.

Todo o resto precisou ser construído.

Ganhar a concorrência era apenas o começo

Pouco depois da vitória, fomos para uma reunião de briefing para definir o projeto.

Existia um roadmap de mais de um ano de evolução dos canais digitais.

Só que Mauro colocou um desafio na mesa.

Teríamos 60 dias para colocar a primeira fase no ar.

O objetivo inicial era lançar a experiência de delivery, que naquele momento ainda nem teria pagamento online.

A lógica era bastante clara.

Primeiro precisávamos provar que conseguíamos entregar.

Se aquela primeira etapa funcionasse, continuaríamos evoluindo o restante do roadmap.

Aceitamos.

Entregamos.

E aqueles 60 dias acabaram se transformando em uma relação de mais de cinco anos.

Com o tempo, além do Habib’s, passamos a cuidar também de outras marcas do grupo, como Ragazzo e Tendal Grill.

Mais importante do que isso, começamos a acumular um conhecimento sobre Food Tech que seria determinante para a história da Alphacode nos anos seguintes.

Sorte ajuda. Estar preparado ajuda muito mais.

Eu acredito muito em planejamento.

Acredito em processo.

Acredito em preparação.

Passei praticamente um ano trabalhando naquela concorrência.

Até a escolha de apresentar por último entre os três finalistas foi pensada.

Mas empreender também me ensinou que existe uma parte da nossa trajetória que simplesmente não controlamos.

Eu jamais poderia colocar em um plano comercial:

“Domingo: encontrar o CEO do Habib’s por acaso no supermercado.”

Foi sorte? Foi Deus?

E não tenho problema algum em reconhecer isso.

A questão é que a sorte sozinha não teria sido suficiente.

Se não tivéssemos passado meses estudando aquele projeto, provavelmente eu não teria conseguido transformar uma conversa casual no supermercado em uma continuação natural da reunião de sexta-feira.

Se não tivéssemos uma boa proposta, não estaríamos entre os três finalistas.

E se nosso time não tivesse entregado aquela primeira etapa em 60 dias, provavelmente aquela relação teria terminado poucos meses depois.

A fila do pão pode ter nos ajudado a ganhar o contrato.

Mas foram os 60 dias seguintes que começaram a construir nossa reputação em Food.

Hoje, quando olho para trás e vejo a Alphacode trabalhando com mais de 10 das 20 maiores redes de alimentação do Brasil, é curioso pensar em alguns dos pequenos acontecimentos que ajudaram a construir essa trajetória.

Grandes histórias empresariais raramente são uma linha reta.

Elas são feitas de competência, relacionamento, insistência, decisões, erros, oportunidades e, de vez em quando, algumas coincidências difíceis de explicar.

No nosso caso, uma delas aconteceu em um domingo de 2018.

Na fila do caixa.