LIFT Day 2026: Um Olhar Aprofundado na Inovação Financeira no Brasil

É com grande entusiasmo que compartilho informações sobre um dos eventos mais esperados no calendário de inovação financeira: o LIFT Day 2026.

O evento acontecerá no dia 31 de março, na sede do Banco Central em Brasília. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas, então, se você está interessado, é melhor garantir seu lugar agora mesmo!

O LIFT, ou Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas, é uma iniciativa de destaque coordenada pelo Banco Central em parceria com a FENASBAC.

O ecossistema LIFT busca transformar a inovação financeira em soluções práticas para desafios reais do mercado.

É uma oportunidade única não apenas para ouvir sobre os avanços mais recentes, mas também participar de um diálogo direto com reguladores, autoridades, especialistas e inovadores.

Por que Participar do LIFT Day 2026?

O LIFT Day é uma plataforma vibrante para apresentar e discutir soluções tecnológicas aceleradas nos laboratórios do LIFT. Este ano, o evento focará em três verticais de inovação:

1. LIFT Learning – Foco em Real World Assets (RWA): Com a tokenização de ativos do mundo real se consolidando como uma tendência irreversível, o evento promete explorar como a regulação e a tecnologia estão transformando esses ativos digitais, aumentando a liquidez e democratizando o acesso aos investimentos.

2. LIFT Data – Dados Abertos e Inovação Informacional: Aqui, o cruzamento entre finanças estruturadas, inteligência de dados e sustentabilidade se destaca, trazendo soluções que alinham o mercado financeiro com as metas climáticas globais, especialmente em face à COP30.

3. LIFT Lab – Soluções Tecnológicas e Novos Modelos de Negócios: Este segmento revelará projetos inovadores com potencial para redesenhar o ambiente de crédito, pagamentos e inclusão financeira, utilizando infraestruturas como Pix, Drex, e inteligência artificial.

Destaques da LIFT Papers 2025

A revista LIFT Papers é outra fonte crucial de conhecimento, apresentando projetos inovadores do ciclo 23/24. Entre eles, soluções que integram compliance e prevenção à lavagem de dinheiro, uma abordagem inovadora para Know Your Client (KYC) com a transparência do blockchain, e modelos de score Pix. Também são exploradas plataformas de tokenização para o agronegócio e ecossistemas financeiros descentralizados para investimentos sustentáveis.

O LIFT Day 2026 promete não só oferecer uma visão abrangente sobre o futuro das finanças no Brasil, mas também demonstrar como a inovação pode construir um sistema financeiro mais eficiente, inclusivo e sustentável. Não deixe de participar desta oportunidade única de aprender e conectar-se com as mentes mais brilhantes do setor financeiro. Para mais informações e inscrição, acesse [LIFT Day 2026].

Vejo vocês lá!

Debêntures, FIDC e securitização: entendendo as opções de dívida para fintechs

Nos últimos anos, o mercado de fintechs amadureceu de forma significativa no Brasil. Se antes o foco era apenas crescer base de usuários, hoje a discussão é outra: como estruturar capital para escalar de forma sustentável?

É nesse contexto que entram instrumentos como debêntures, FIDC e securitização. Embora pareçam complexos à primeira vista, eles são, na prática, mecanismos estruturados para transformar recebíveis e previsibilidade de receita em capacidade de crescimento.

Neste artigo, explico de forma direta o que é cada um deles e quando fazem sentido para uma fintech.

1. Debêntures: dívida estruturada no mercado de capitais

Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos diretamente com investidores.

Na prática, a empresa “toma dinheiro emprestado” do mercado e se compromete a pagar juros e devolver o principal em determinado prazo.

Para fintechs, esse instrumento costuma fazer sentido quando:

  • A empresa já possui governança estruturada
  • Tem previsibilidade de receita
  • Precisa captar volumes maiores
  • Quer diversificar fontes de funding além de bancos

A vantagem é acessar capital sem diluir participação societária.
O desafio está na estruturação, custos jurídicos e exigências regulatórias.

2. FIDC: transformando recebíveis em funding

O FIDC, Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, é talvez o instrumento mais comum no universo de fintechs de crédito.

Funciona assim: a fintech origina créditos (empréstimos, antecipação de recebíveis, financiamento etc.) e cede esses direitos creditórios para um fundo. O fundo capta recursos com investidores e usa esse dinheiro para comprar esses recebíveis.

Ou seja, a fintech transforma crédito concedido em capital imediato para continuar operando.

É uma estrutura poderosa porque:

  • Permite alavancar a operação
  • Segrega risco
  • Cria camadas de cotas (sênior e subordinada)
  • Estrutura governança e controle de risco

Mas exige maturidade operacional, compliance robusto e tecnologia capaz de garantir rastreabilidade total da carteira.

3. Securitização: empacotando ativos financeiros

A securitização é o processo de transformar ativos financeiros, como recebíveis, em títulos negociáveis no mercado.

Pode ser feita por meio de uma securitizadora, que emite CRIs, CRAs ou outros títulos lastreados nos ativos da empresa.

Para fintechs, é uma alternativa interessante quando:

  • Existe volume relevante de ativos
  • Há padronização dos contratos
  • A carteira tem histórico e previsibilidade

É uma forma sofisticada de financiamento e pode reduzir custo de capital quando bem estruturada.

Qual faz mais sentido?

A resposta é: depende do estágio da fintech.

Startups muito iniciais dificilmente acessarão debêntures ou estruturas complexas.
Fintechs em estágio de crescimento, com carteira performada e governança organizada, já podem considerar FIDC.
Empresas mais maduras podem estruturar emissões mais sofisticadas.

O ponto central é que estrutura financeira e tecnologia caminham juntas.

Sem sistemas sólidos, rastreabilidade de dados, controle de inadimplência e arquitetura bem definida, nenhuma dessas estruturas para em pé.

Tenho visto muitas fintechs focarem apenas na originação e esquecerem que, para escalar de verdade, é preciso pensar funding desde o início.

Escalar crédito exige capital.
Escalar capital exige estrutura.
E estrutura exige tecnologia sólida.

Se você está estruturando ou repensando o modelo financeiro da sua fintech, vale olhar para essas alternativas com profundidade estratégica.

O que é uma Conta Bolsão e como ela funciona no Brasil?

Nos últimos anos, o termo “conta bolsão” ganhou destaque no mercado financeiro, principalmente com o crescimento das fintechs. Apesar de não aparecer literalmente nas normas do Banco Central, o conceito é amplamente utilizado e regulado de forma indireta. Neste artigo, vamos explicar de forma simples o que é, como funciona e quais os cuidados envolvidos.

O que é uma Conta Bolsão?

A conta bolsão é uma conta bancária única, aberta em nome de uma instituição (geralmente uma fintech ou instituição de pagamento), que concentra os recursos financeiros de diversos clientes.

  • Na prática, todos os depósitos feitos pelos usuários vão para essa conta “mãe”.

  • A fintech controla internamente, por meio de um sistema, o saldo individual de cada cliente em subcontas gráficas.

  • Para o banco que mantém a conta bolsão, o titular é apenas a fintech, e não cada usuário final.

Como ela funciona no dia a dia?

Imagine uma fintech que oferece contas digitais sem ser um banco. Ela pode:

  1. Abrir uma conta bolsão em um banco parceiro.

  2. Receber os depósitos de todos os clientes nessa conta única.

  3. Gerenciar, em seu sistema, os saldos de cada cliente como se fossem “carteiras individuais”.

Exemplo:

  • João deposita R$ 500.

  • Maria deposita R$ 200.

  • Ambos os valores entram no mesmo bolsão, mas o sistema da fintech registra: João tem R$ 500, Maria tem R$ 200.

Qual a base legal e regulatória?

Embora o termo “conta bolsão” não esteja escrito nas normas, a Lei nº 12.865/2013 já determinava que os recursos dos clientes em contas de pagamento pertencem aos usuários, não à instituição.

Além disso, regras posteriores do Banco Central (como a Circular 3.680/2013) exigem que cada usuário final seja identificado e tenha seu saldo registrado individualmente.

👉 Ou seja: o uso de conta bolsão é permitido, desde que a fintech mantenha:

  • segregação patrimonial (os recursos dos clientes não podem se misturar ao caixa da empresa),

  • controles internos robustos,

  • e transparência para atender autoridades, como o Banco Central e o COAF.

 Limitações e riscos

Apesar de prático, o modelo tem riscos que chamaram atenção do regulador:

  • Falta de rastreabilidade: o banco enxerga apenas a fintech como titular da conta, dificultando a identificação direta do cliente final.

  • Lavagem de dinheiro: se os controles internos forem falhos, pode haver uso indevido para movimentar valores ilícitos.

  • Restrições recentes: normas como a Resolução BCB 269/2022 proibiram o uso de contas bolsão no Pix, exigindo que cada usuário esteja devidamente identificado como titular de uma conta transacional.

 O futuro da Conta Bolsão

Com as novas regras do Banco Central (incluindo as Resoluções publicadas em 2025), o modelo de bolsão tende a perder espaço. As fintechs estão sendo pressionadas a obter autorização formal do BACEN e a oferecer contas individualizadas ou parcerias em modelo de Banking as a Service (BaaS).

Ainda assim, a conta bolsão foi um motor de inovação que permitiu o surgimento de dezenas de fintechs no Brasil. Seu legado é claro: mostrou que era possível democratizar o acesso a serviços financeiros de forma rápida e acessível.

Em resumo: a conta bolsão é uma solução legítima, mas hoje cercada de regras cada vez mais rígidas. Para fintechs, representa tanto um aprendizado histórico quanto um alerta para o futuro: transparência, compliance e governança não são opcionais.

FIDC agora pode virar SCFI: o que muda para fintechs

O Banco Central autorizou recentemente um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) a atuar como uma SCFI (Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento). Na prática, essa decisão muda completamente o jogo para fintechs, plataformas de BAAS (Banking as a Service) e empresas que operam com concessão de crédito.

Neste artigo, vamos explicar o que é um FIDC, o que é uma SCFI, quais as diferenças entre os dois modelos, e o que essa mudança representa para o futuro do mercado financeiro no Brasil.


O que é um FIDC?

Um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) é um tipo de fundo regulado pela CVM que aplica, no mínimo, 50% do seu patrimônio em direitos creditórios. Esses “direitos” nada mais são do que créditos a receber, como duplicatas, contratos, recebíveis de cartões, entre outros.

Os FIDCs são usados como instrumentos de financiamento alternativo, geralmente estruturados por empresas que desejam transformar seus recebíveis em liquidez.

Regulação principal: Instrução CVM 356/2001.


O que é uma SCFI?

SCFI é a sigla para Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento. Trata-se de uma instituição financeira não bancária, regulada pelo Banco Central, com autorização para operar diretamente com concessão de crédito e financiamento.

SCFIs podem atuar com linhas de crédito para pessoas físicas e jurídicas, parcelamento de compras, crédito pessoal, entre outros produtos. Elas não captam depósitos à vista (como os bancos), mas podem captar recursos no mercado financeiro, emitir CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) e operar de forma direta com tomadores.

Diferença entre FIDC e SCFI

fidc scfi
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O caso Multiplike: de FIDC a SCFI

A gestora Multiplike recebeu em junho de 2025 a autorização do Banco Central para operar como SCFI. A empresa, que já administrava um grande volume de operações com créditos cedidos, agora ganha autonomia para conceder, estruturar e distribuir crédito internamente.

Com isso, a Multiplike reduz custos de intermediação, agiliza o ciclo de concessão de crédito e ganha escala sem depender de estrutura bancária tradicional.


O que essa mudança representa para fintechs e plataformas de BAAS

A autorização do BC à Multiplike é um marco porque abre caminho para que outras empresas estruturadas possam seguir o mesmo caminho: transformar operações de FIDC (ou outras estruturas indiretas) em operações financeiras diretas e mais eficientes.

Fintechs e plataformas que oferecem serviços de crédito, financiamentos, antecipação de recebíveis e serviços bancários podem passar a considerar o modelo SCFI como uma evolução natural.


Riscos e cuidados para quem deseja virar SCFI

Apesar das vantagens, a autorização como SCFI exige:

  • Estrutura de compliance robusta
  • Infraestrutura tecnológica segura
  • Monitoramento antifraude
  • Capital mínimo regulatório
  • Aprovação de dirigentes pelo Banco Central
  • Relatórios periódicos e auditoria

É um modelo para quem está disposto a atuar com responsabilidade.


Como a Alphacode pode ajudar

Na Alphacode, temos ajudado empresas a construir operações financeiras robustas, seguras e escaláveis, com tecnologia de ponta e alinhamento regulatório.

Se você está estudando transformar seu FIDC, ou estruturar uma operação SCFI, podemos ajudar com:

  • App e backoffice de operação financeira
  • Integrações com registradoras e bureaus
  • Infra segura e criptografada
  • Controle de acesso, logs, e APIs blindadas
  • Documentação regulatória técnica
  • Monitoramento comportamental e antifraude

FAQ

Qual a vantagem de uma SCFI em relação a um FIDC tradicional?
Maior autonomia, menos intermediação, acesso direto ao cliente, possibilidade de escala mais rápida.

Qual a regulação que rege as SCFIs?
Resoluções do Banco Central, em especial as normas da Diretoria de Organização do Sistema Financeiro (DINOR).

SCFI pode captar depósitos?
Não. Somente bancos comerciais podem captar depósitos à vista. SCFIs captam via títulos ou fundos.

Qual capital mínimo preciso para virar SCFI?
Depende do escopo da operação. Mas em geral, é preciso atender os requisitos da Circular 3.978 e Resolução 4.970/2021.


Considerações finais

O reconhecimento de FIDCs como potenciais operadoras financeiras é um passo a mais rumo à descentralização da infraestrutura bancária no Brasil.

Quem tiver visão, dados e responsabilidade, vai crescer com base sólida.

E quem ignorar esse movimento, pode ficar fora do próximo ciclo de inovação financeira.