O que é uma adquirente e qual o papel dela no mercado de fintechs?

Se você está pesquisando sobre fintechs e meios de pagamento, provavelmente já encontrou termos como adquirente, subadquirente, gateway e PSP.

O problema é que muita gente confunde esses conceitos e isso costuma gerar decisões erradas na hora de montar uma operação de pagamentos, seja em um e-commerce, um aplicativo, um marketplace ou uma fintech.

Neste artigo, eu vou explicar de forma simples o que é uma adquirente, como ela funciona na prática e por que ela é uma peça tão importante no ecossistema de fintechs.

O que é uma adquirente?

Adquirente, também chamada de credenciadora, é a empresa responsável por conectar o lojista ao sistema financeiro de cartões. Em outras palavras, ela permite que uma venda feita no cartão de crédito ou débito seja processada, autorizada e liquidada.

Na prática, quando um cliente paga com cartão, existe toda uma estrutura por trás para que aquela transação seja validada e o dinheiro chegue ao destino correto. A adquirente é um dos componentes centrais dessa estrutura. Sem ela, o pagamento com cartão não acontece da forma tradicional.

Como uma adquirente funciona na prática?

O papel da adquirente aparece no momento em que o consumidor realiza uma compra e escolhe pagar com cartão. Primeiro, a transação é capturada pelo sistema de venda, que pode ser um checkout de e-commerce, um aplicativo, uma maquininha ou uma plataforma digital. A partir desse momento, a adquirente entra em ação para processar a solicitação.

Ela encaminha a transação para a rede da bandeira do cartão, que funciona como uma ponte entre o ambiente do lojista e o banco emissor. Em seguida, o banco emissor avalia a compra e decide se aprova ou recusa, com base em critérios como limite disponível, validações de segurança e risco de fraude.

Quando a compra é aprovada, a adquirente organiza a liquidação e o repasse do valor, respeitando as regras da operação. Esse repasse acontece conforme o prazo acordado, considerando taxas como MDR e as condições de parcelamento e agenda de recebíveis.

Por que ela se chama adquirente?

O nome “adquirente” vem do conceito de que essa empresa “adquire” a transação do lojista e encaminha para o ecossistema financeiro. Ela funciona como uma ponte entre o mundo da venda e o mundo bancário, garantindo que a operação aconteça com segurança e rastreabilidade.

Esse papel é especialmente relevante em negócios digitais, porque a transação precisa acontecer com estabilidade, consistência e previsibilidade. Pequenas falhas aqui geram impacto direto em vendas, satisfação do usuário e receita.

Um exemplo simples para entender

Imagine um aplicativo de delivery. O cliente escolhe o pedido, finaliza a compra e paga com cartão. O sistema envia essa transação para processamento, a adquirente recebe e encaminha para a bandeira, a bandeira envia ao banco emissor, o banco aprova e a compra é concluída. Depois disso, dentro do prazo contratado, o dinheiro é repassado para o recebedor certo.

Em poucos segundos, um fluxo relativamente complexo é executado. A adquirente está no centro desse processo.

Qual a diferença entre adquirente, gateway e subadquirente?

No mercado de pagamentos existem termos parecidos, mas cada um cumpre um papel diferente.

A adquirente é quem faz a conexão com bandeiras e emissores e efetivamente processa a transação e liquida o pagamento. Ela credencia o lojista e viabiliza o fluxo financeiro da venda.

O gateway de pagamento é uma camada tecnológica que conecta o checkout ou o sistema de venda aos serviços financeiros. Ele ajuda no roteamento e na integração, podendo trabalhar com múltiplas adquirentes e oferecendo recursos como conciliação, antifraude e redundância de transação.

Já a subadquirente é uma empresa que utiliza adquirentes por trás e oferece uma solução simplificada para lojistas e plataformas. Esse modelo é muito comum em marketplaces, aplicativos com múltiplos recebedores e operações que precisam facilitar o onboarding de vendedores sem exigir credenciamento direto com cada adquirente.

Entender essas diferenças é importante porque elas impactam custos, risco, experiência do usuário e o desenho do produto.

Qual o papel da adquirente no mercado de fintechs?

No universo de fintechs, a adquirente vai muito além de “processar cartão”. Ela é uma peça estratégica de infraestrutura que permite que produtos digitais realmente movimentem dinheiro de forma estruturada.

É ela que viabiliza operações como checkout dentro de aplicativos, pagamentos recorrentes, parcelamentos, split de pagamento e modelos de marketplace. A adquirência está presente em muitos projetos que envolvem contas digitais, carteiras, plataformas de cobrança, soluções para e-commerce e produtos financeiros integrados.

Por isso, quando uma fintech cresce, a escolha e a arquitetura de adquirência começam a impactar diretamente não só o custo da operação, mas também a taxa de conversão, a estabilidade e a capacidade de expansão do produto.

Por que a adquirente é tão importante para uma fintech?

O primeiro motivo é que ela habilita a transação real. Sem uma estrutura de adquirência bem definida, o produto pode até funcionar como plataforma, mas não sustenta um fluxo financeiro robusto e escalável.

O segundo motivo é que adquirência impacta conversão. Instabilidade, timeout, falhas na autorização, excesso de transações negadas e problemas de integração afetam diretamente vendas e receita. Em aplicativos, isso costuma aparecer como abandono de compra e perda de confiança do usuário.

O terceiro ponto é a margem. Taxas, repasses, antecipação e condições de recebíveis mudam completamente a economia do negócio. Muitas fintechs aprendem isso na prática, depois que já estão operando, quando o volume cresce e os custos ficam mais visíveis.

Por último, a adquirência também influencia risco e chargeback. Fraude e contestação fazem parte do jogo e a forma como a operação é estruturada impacta retenções, regras de disputa e previsibilidade do caixa.

O que avaliar na hora de escolher uma adquirente?

Se você está estruturando um produto com pagamentos, vale olhar com atenção para estabilidade e disponibilidade, qualidade das APIs, suporte e tempo de resposta, modelo comercial, prazos de recebimento e agenda financeira, além de recursos como split de pagamento e capacidade de lidar com múltiplos recebedores.

Também é importante entender como a adquirente trabalha com chargeback, regras de contestação e camadas de segurança. Em fintech, esses pontos rapidamente deixam de ser detalhes técnicos e viram parte essencial do negócio.

Consultoria para estruturar sua operação de pagamentos

Se você está montando uma fintech, marketplace ou plataforma com pagamentos e quer tomar decisões sólidas desde o início, eu faço consultorias objetivas para avaliar o modelo ideal de adquirência e estruturar a operação com visão de negócio, tecnologia e governança.

Se quiser, me envie uma mensagem e eu te retorno com os próximos passos.

Conclusão

Adquirente é a empresa que conecta o lojista ao ecossistema de cartões, permitindo que pagamentos sejam autorizados e liquidados. E no mercado de fintechs, ela é um componente essencial de infraestrutura, porque viabiliza transação, conversão, previsibilidade financeira e capacidade de escala.

Entender adquirência em 2026 não é detalhe técnico. É fundamento para qualquer produto que precise movimentar dinheiro com consistência.

Por que tecnologia não é o maior gargalo das fintechs de crédito

Quando se fala em fintech, a conversa quase sempre começa pela tecnologia.
App, UX, APIs, integração com bancos, PIX, cartão, antifraude, escalabilidade.

Tudo isso é importante.
Mas não é o maior gargalo.

Na prática, muitas fintechs de crédito não quebram por falha técnica, quebram por estrutura financeira mal planejada.

Tecnologia resolve operação. Funding sustenta o negócio.

Uma fintech de crédito pode ter:
• um app bem construído
• uma jornada fluida
• um motor de crédito eficiente
• boas integrações

E ainda assim entrar em colapso.

O motivo costuma ser simples: capital insuficiente, mal estruturado ou mal separado.

Crédito não é só produto.
Crédito é, antes de tudo, balanço.

O erro clássico: tratar funding como etapa futura

Vejo com frequência fintechs que pensam assim:

“Vamos lançar o produto, ganhar tração e depois pensamos em funding.”

Esse raciocínio funciona para alguns tipos de startup.
Para fintech de crédito, é perigoso.

O funding não é um acessório do negócio.
Ele é parte do desenho do produto.
• Quem financia a operação?
• Qual o custo desse capital?
• Ele escala junto com a carteira?
• Existe descasamento entre prazo de captação e prazo de recebimento?

Se essas perguntas não estão respondidas desde o início, o risco é estrutural.

Quando a tecnologia vira bode expiatório

Outro padrão comum: quando a fintech começa a enfrentar problemas, a culpa cai na tecnologia.
• “Precisamos reescrever o sistema”
• “A stack não aguenta”
• “O core bancário não escala”

Às vezes isso é verdade.
Mas muitas vezes a tecnologia só está expondo um problema financeiro mal resolvido.

Sem previsibilidade de caixa:
• não existe crescimento sustentável
• não existe governança
• não existe confiança de investidores ou credores

Fintech de crédito não vive só de equity

Outro ponto crítico: dependência excessiva de equity.

Rodadas de investimento ajudam, mas:
• diluem os fundadores
• criam pressão por crescimento acelerado
• nem sempre resolvem o problema do capital de giro

Fintech madura precisa pensar em:
• dívida
• estruturas híbridas
• instrumentos de mercado de capitais
• funding alinhado ao modelo operacional

É aí que muitas operações travam.

Funding é estratégia, não socorro

Quando o funding entra apenas como “salvação” depois que o caixa acabou, as opções ficam piores:
• capital mais caro
• exigências mais duras
• menos poder de negociação

As fintechs mais sólidas pensam diferente:

funding é parte da arquitetura do negócio, assim como tecnologia e jurídico.

O ponto central

Tecnologia é essencial.
Mas não é o maior gargalo.

O maior gargalo das fintechs de crédito é:
• não tratar funding como pilar estratégico
• não alinhar capital, risco e crescimento
• não desenhar a operação já pensando em escala financeira

Quem entende isso cedo:
• cresce melhor
• sofre menos
• mantém controle
• e constrói uma fintech muito mais resiliente

Nos próximos artigos, vou aprofundar:
• erros comuns de funding
• quando equity deixa de ser a melhor opção
• como decisões técnicas impactam captação
• e alternativas como dívida e mercado de capitais

Porque fintech que quer crescer de verdade precisa olhar além do código.

FIDCs: a ponte entre liquidez e crescimento para fintechs e empresas financeiras

No ecossistema financeiro brasileiro, a busca por liquidez, escala e estabilidade operacional é um desafio constante. Para fintechs e empresas de crédito, operar com eficiência significa encontrar mecanismos capazes de sustentar o crescimento sem comprometer o caixa ou aumentar o risco da operação. É nesse cenário que os FIDCs assumem um papel estratégico.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios se tornaram uma das engrenagens mais relevantes do mercado, movimentando mais de 1,5 trilhão de reais por ano segundo levantamentos recentes. Mesmo assim, continuam sendo pouco compreendidos fora do círculo especializado. O fato é que, para quem atua com crédito, entender como esse instrumento funciona pode representar uma vantagem competitiva real.

O que é um FIDC e como ele funciona

De forma simples, um FIDC é um fundo que compra direitos creditórios. Esses créditos representam valores que uma empresa tem a receber no futuro, como faturas, duplicatas, contratos de financiamento, mensalidades, empréstimos e outros recebíveis.

Ao vender esses direitos ao fundo, a empresa transforma recebíveis futuros em dinheiro imediato. O FIDC passa a administrar essa carteira e receber os pagamentos à medida que os clientes quitam suas dívidas.

Isso gera um cenário de ganho para ambos os lados.

• A empresa obtém liquidez para operar e crescer

• O fundo captura rendimento ao antecipar recebíveis com desconto

• O risco é mitigado por estruturas de governança e critérios de seleção da carteira

Para fintechs que trabalham com crédito, esse mecanismo representa agilidade e capacidade concreta de expansão.

Por que fintechs dependem desse modelo

Fintechs, ao contrário de instituições tradicionais, normalmente começam com capital limitado e precisam provar seu modelo rapidamente. Isso significa que a cada contrato de crédito concedido, parte do seu capital fica imobilizado até que os clientes paguem.

Sem escala financeira, o negócio trava.

Os FIDCs resolvem exatamente esse ponto, permitindo que fintechs:

• Ganhem liquidez imediata

• Reinvistam rapidamente em novos contratos

• Reduzam exposição ao risco da carteira

• Cresçam sem depender apenas de capital próprio

É um motor silencioso por trás das operações que crescem de forma acelerada e sustentável.

Onde a tecnologia entra nessa equação

Nenhuma estrutura de FIDC funciona bem sem tecnologia sólida. Da seleção dos recebíveis à governança da carteira, tudo depende de dados e processos confiáveis.

Para funcionar com eficiência, um FIDC exige:

• Sistemas que organizem e validem recebíveis

• Integrações com instituições financeiras e bureaus

• Automação de fluxos operacionais

• Análises de risco em tempo real

• Monitoramento contínuo das carteiras cedidas

• Relatórios completos e auditáveis

• Compliance rígido com normas do mercado

É aqui que plataformas financeiras robustas se tornam essenciais. Uma infraestrutura bem desenhada traz eficiência para o gestor do fundo e segurança para a fintech que cede seus recebíveis.

Como a Alphacode apoia esse ecossistema

Com experiência no desenvolvimento de plataformas financeiras, operações BaaS e soluções completas para o setor, a Alphacode entende que a tecnologia é o pilar que sustenta esse modelo.

As soluções da vertical Finance podem apoiar fintechs e empresas de crédito oferecendo módulos como:

• Originação e gestão de contratos

• Análise de risco e score

• KYC, KYB e verificações de compliance

• Automação de fluxos financeiros

• Gestão de carteiras e recebíveis

• Integrações com bancos, adquirentes e sistemas de liquidação

• Painéis gerenciais para acompanhamento do fundo

Ao combinar uma arquitetura sólida com processos confiáveis, criamos a base tecnológica para operações de crédito que precisam de segurança, velocidade e governança.

FIDCs e o futuro das operações financeiras

À medida que o mercado amadurece, modelos que combinam instrumentos financeiros como FIDCs com tecnologia moderna se tornam essenciais. Eles viabilizam crescimento, reduzem risco e permitem que fintechs atuem com eficiência em um setor cada vez mais competitivo.

Para quem opera crédito, compreender o potencial dos FIDCs é uma forma de enxergar caminhos estratégicos para escalar o negócio sem abrir mão de previsibilidade e controle.

Se você atua no setor financeiro e deseja explorar soluções tecnológicas que apoiem esse tipo de operação, a Alphacode pode ajudar. Será um prazer conversar sobre como levar sua operação para o próximo nível.

Regulação de cripto no Brasil: o que muda com as Resoluções BCB 519, 520 e 521

Em 10 de novembro de 2025, o Banco Central publicou três resoluções de regulação cripto Brasil que fecham o marco regulatório do mercado de cripto no Brasil.

Essas regras criam a figura das prestadoras de serviços de ativos virtuais, definem como essas empresas serão autorizadas e fiscalizadas, e enquadram várias operações com cripto no regime de câmbio e capitais internacionais.

As regras entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, com obrigações adicionais de reporte a partir de maio.

1) Regulação cripto Brasil: o que foi publicado

  • Nota oficial do Banco Central anunciando o pacote regulatório.
  • Resolução BCB 519, Resolução BCB 520 e Resolução BCB 521.
  • Conjunto encerra a etapa principal da regulação prevista pela Lei 14.478.

2) Regulação cripto Brasil: o que muda na prática

  • Passa a existir um regime claro de licenças para quem presta serviços com cripto no Brasil.
  • O relacionamento com clientes segue padrões do sistema financeiro, com transparência, segregação patrimonial e auditoria.
  • Diversas operações com cripto passam a ser tratadas como câmbio e sujeitas a reporte.

3) Resolução BCB 519: quem pode operar e sob quais regras

A 519 organiza os processos de autorização e atualiza procedimentos para segmentos já regulados, preparando o terreno para a supervisão do novo tipo de instituição. Pontos-chave:

  • Define processos de autorização e mudanças societárias para players supervisionados.
  • Integra o tema cripto à lógica prudencial do BC.
  • Serve de base procedimental para a chegada das prestadoras de serviços de ativos virtuais.

4) Resolução BCB 520: constituição, funcionamento e governança das PSAVs

A 520 é o coração operacional da regulação das PSAVs. Destaques práticos:

  • Disciplina a constituição e o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais, além de permitir que outras instituições autorizadas pelo BC prestem certos serviços de cripto.
  • Classifica modalidades de atuação e exige autorização para iniciar a prestação de serviços.
  • Exige segregação patrimonial entre recursos e ativos dos clientes e os da própria empresa, com diretor responsável.
  • Determina prova de reservas, políticas de risco e auditoria independente periódica com divulgação pública.
  • Estabelece vedações como o uso de ativos de clientes em operações próprias, com exceções estritas para liquidez imediata, até 5% e sem ônus ao cliente.
  • Prevê cronograma de implantação de intercâmbio de informações no mercado nacional e internacional.

Tradução para o gestor: estrutura de “fintech plena” aplicada ao universo cripto, com governança, compliance, trilhas de auditoria e responsabilidades explícitas da diretoria.

5) Resolução BCB 521: câmbio, capitais internacionais e limites

A 521 enquadra atividades com cripto como operações de câmbio e de capitais internacionais. Implicações:

  • Pagamentos e transferências internacionais com cripto, uso de cripto para quitar obrigações de cartões no exterior, transferências para carteiras autocustodiadas e transações com ativos referenciados em moeda fiduciária passam a ser tratadas como câmbio.
  • Passa a existir obrigação de prestação de informações ao BC sobre essas operações a partir de maio de 2026.
  • Há limite de até 100 mil dólares por operação de pagamento ou transferência internacional com cripto quando a contraparte não for instituição autorizada a operar no mercado de câmbio.

Mensagem central: operações cross-border com cripto entram no guarda-chuva cambial e ganham trilha formal de reporte e controle.

6) Regulação cripto Brasil: prazos e transição

  • Vigência principal em 2 de fevereiro de 2026 para as três resoluções.
  • Reportes cambiais específicos com início de exigência a partir de 4 de maio de 2026.
  • Empresas já ativas devem solicitar autorização dentro dos prazos, podendo continuar operando até a decisão se protocolarem no tempo correto; quem não protocolar deve cessar a prestação de serviços em até 30 dias após o fim do prazo.

7) Como as empresas devem se preparar

Estratégia regulatória

  • Definir a modalidade de atuação e abrir o processo de autorização.
  • Mapear controladores, administradores e estrutura de governança.

Finanças e controles

  • Implementar segregação patrimonial com contas e registros individualizados.
  • Estabelecer rotina de prova de reservas e contratar auditoria independente com divulgação pública.

Compliance e PLD

  • Atualizar políticas KYC, KYP e monitoramento, inclusive para operações com carteiras autocustodiadas e fluxos internacionais.
  • Preparar os mecanismos e prazos de reporte ao BC.

Produto e operações

  • Formalizar regras de tarifas e relacionamento com o cliente à luz do arcabouço do SFN.
  • Ajustar contratos, termos e UX para refletir vedações e deveres de informação.

8) Perguntas frequentes

Qual é o capital social mínimo para abrir uma PSAV?
As resoluções não trazem um número fixo de capital social. A 520 fala em requisitos de autorização e governança, e as comunicações oficiais indicam que atos complementares detalharão requisitos prudenciais. A prática do BC é calibrar por risco e porte, de forma semelhante ao que ocorre com outras instituições. Recomenda-se planejar cenários de capital e patrimônio líquido compatíveis com a modalidade pretendida e com a presença de custódia e operações cross-border.

Minha empresa já opera com cripto. Como fica até sair a autorização?
Se protocolar o pedido dentro do prazo previsto, pode manter a operação até a decisão. Se não protocolar, deve encerrar a atividade em até 30 dias após o fim do prazo.

Quais operações com cripto viram câmbio?
Pagamentos e transferências internacionais, uso para quitação de obrigações de cartão no exterior, transferências entre carteiras autocustodiadas e transações com ativos referenciados em moeda fiduciária, observados limites e regras de reporte.

Existe limite por operação?
Sim. Até 100 mil dólares quando a contraparte não for instituição autorizada a operar no mercado de câmbio.

9) Referências oficiais

  • Nota do BC sobre a regulamentação de ativos virtuais e funcionamento das instituições do setor.
  • Resolução BCB 519.
  • Resolução BCB 520.
  • Resolução BCB 521.

Checklist prático para iniciar a adequação

  • Definir modalidade de PSAV e preparar dossiê de autorização.
  • Implantar segregação patrimonial, designar diretor responsável e revisar contratos.
  • Estruturar prova de reservas e contratar auditoria independente com publicação dos relatórios.
  • Mapear fluxos internacionais e carteira própria versus autocustódia do cliente, com regras de reporte.
  • Adequar políticas de PLD, KYC e monitoramento de riscos.
  • Atualizar UX, tarifário e canais de atendimento para o padrão do SFN.

Em resumo, a regulação cripto Brasil estabelece um marco claro e robusto, garantindo segurança jurídica e transparência para o mercado de ativos virtuais.

Open Finance em 2025: tendências, oportunidades e como sua instituição pode se beneficiar

O Open Finance não é mais uma promessa: é uma realidade consolidada que está moldando o futuro das finanças no Brasil. Desde o Open Banking, o ecossistema evoluiu para um modelo mais amplo, integrando seguros, investimentos e até serviços não financeiros.

Em 2025, o foco sai da integração e entra na monetização dos dados — como transformar o compartilhamento seguro de informações em vantagem competitiva. Neste artigo, exploramos as principais tendências, oportunidades e caminhos práticos para instituições financeiras, fintechs e provedores de tecnologia que desejam se destacar nesse novo cenário.

Ilustração de dashboard financeiro mostrando integração de dados via Open Finance em 2025
Ilustração de dashboard financeiro mostrando integração de dados via Open Finance em 2025

1. O que é Open Finance e em que estágio estamos

O Open Finance é a evolução natural do Open Banking. Ele permite que o cliente autorize o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições diferentes, de forma segura e padronizada via APIs.

Atualmente, mais de 800 instituições participam do ecossistema, com milhões de consentimentos ativos e bilhões de chamadas de API mensais, segundo dados do Banco Central.

Em 2025, o Brasil se consolida como referência global — o país tem um dos sistemas mais completos e com maior adesão do mundo, superando inclusive o Reino Unido em volume de interações.


2. As tendências que estão moldando o Open Finance em 2025

2.1 Monetização de dados e inteligência preditiva

As instituições começam a transformar dados em ativos de negócio. O uso de IA e machine learning sobre dados abertos permite prever comportamento de consumo, risco de crédito e oportunidades de investimento.

2.2 Open Finance além do setor bancário

O movimento se expande para seguros, investimentos, consórcios e até varejo, criando o conceito de “Open Everything”. Plataformas passam a usar dados financeiros para personalizar benefícios, fidelidade e crédito integrado.

2.3 Parcerias entre fintechs e bancos tradicionais

Em vez de competição, cresce o modelo Banking-as-a-Service (BaaS), onde instituições compartilham infraestrutura e inovação. O Open Finance acelera essa colaboração.

2.4 Foco em experiência e confiança

Com a crescente preocupação com privacidade, empresas que oferecem UX simples, transparente e segura ganham vantagem. A jornada do consentimento precisa ser clara e intuitiva.

2.5 Regulação e supervisão contínuas

O Banco Central reforça a governança com novas instruções normativas, especialmente sobre segurança de APIs, autenticação e proteção de dados sensíveis.


3. Oportunidades para instituições financeiras

O Open Finance permite que fintechs e bancos:

  • Criem produtos personalizados com base em dados reais do cliente;

  • Ofereçam crédito mais inteligente, com risco ajustado;

  • Lancem superapps financeiros, unindo contas, investimentos e benefícios;

  • Fortaleçam a fidelização com experiências integradas;

  • Desenvolvam novos modelos de negócio via APIs abertas, parcerias e marketplaces financeiros.


4. Como se preparar para aproveitar o Open Finance

  1. Invista em APIs seguras e escaláveis — o coração do Open Finance é a integração.

  2. Implemente governança de dados — assegure consentimento, rastreabilidade e compliance com LGPD.

  3. Automatize processos regulatórios — relatórios, logs e auditorias precisam ser contínuos.

  4. Crie squads multidisciplinares — tecnologia, produto e jurídico devem atuar juntos.

  5. Busque parceiros especializados — o sucesso depende da combinação entre infraestrutura sólida e inovação constante.


5. Como a Alphacode apoia empresas no ecossistema Open Finance

Com mais de 10 anos desenvolvendo soluções tecnológicas para o setor financeiro, a Alphacode ajuda instituições a se conectarem ao ecossistema Open Finance com segurança e performance.

Com a plataforma MOSAICO Finance, é possível:

  • Integrar e consumir APIs do Open Finance;

  • Automatizar autenticação e consentimentos;

  • Monitorar transações com alertas em tempo real;

  • Criar dashboards de governança e indicadores;

  • Desenvolver novos produtos digitais sobre dados abertos.

A Alphacode atua como parceira estratégica, ajudando fintechs e bancos a transformar compliance em inovação e vantagem competitiva.

O Open Finance representa uma das maiores transformações do sistema financeiro moderno — e em 2025, ele entra em sua fase mais valiosa: a da criação de novos modelos de negócio baseados em dados.

Empresas que enxergarem essa oportunidade agora terão vantagem real nos próximos anos. O futuro das finanças é colaborativo, inteligente e aberto.

Relatórios Pix (APIX001 e 4111): como automatizar o compliance e evitar penalidades

O Pix é um dos maiores avanços do sistema financeiro brasileiro, mas também trouxe novas responsabilidades regulatórias. O Banco Central exige que instituições participantes enviem relatórios periódicos — como os arquivos APIX001 e 4111 — que comprovam a integridade e rastreabilidade das operações.

Dashboard de fintech mostrando relatórios Pix e automação de compliance regulatório
Dashboard de fintech mostrando relatórios Pix e automação de compliance regulatório

Muitas fintechs e bancos digitais ainda tratam esse processo manualmente, correndo risco de erros, penalidades e inconsistência nos dados. Neste artigo, vamos explicar o que são esses relatórios, por que eles são obrigatórios e como automatizar o processo com segurança e eficiência.


1. O que são os relatórios APIX001 e 4111

1.1 APIX001 — Relatório Mensal do Pix

O APIX001 é um arquivo XML obrigatório que deve ser enviado mensalmente ao Banco Central. Ele contém dados consolidados das operações Pix do período, permitindo que o Bacen monitore o volume transacionado, a liquidez e o comportamento de cada participante.

Principais informações exigidas:

  • Identificação da instituição participante;

  • Volume e valor total das transações;

  • Dados de liquidação no SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos);

  • Indicadores de risco e anomalias.

Prazo de envio: até o 5º dia útil do mês subsequente.


1.2 Relatório 4111 — Envio Diário

Já o 4111 é o arquivo diário que reporta todas as transações Pix liquidadas no SPI, garantindo a rastreabilidade em tempo real das movimentações financeiras.

Função: permitir o cruzamento de dados entre sistemas e auditorias automáticas do Banco Central.

Prazo de envio: até o início do próximo dia útil.


2. Por que automatizar o envio

Tratar o APIX001 e o 4111 de forma manual é inviável para quem transaciona alto volume. Além de ocupar equipe, aumenta o risco de:

  • Erros humanos nos campos do XML;

  • Atrasos no envio e advertências do Bacen;

  • Penalidades administrativas por descumprimento das normas;

  • Risco reputacional, já que falhas em compliance reduzem a confiança de parceiros e investidores.

Automatizar é o caminho natural — e exigido — para garantir conformidade contínua.


3. Como automatizar o compliance Pix

3.1 Mapeie os dados na origem

Garanta que os sistemas internos (core bancário, gateway de pagamentos, ERP) mantenham campos estruturados para gerar automaticamente as informações exigidas nos relatórios.

3.2 Gere os arquivos XML automaticamente

Use scripts ou módulos de software para montar os arquivos APIX001 e 4111 em conformidade com o layout oficial do Bacen.

Ferramentas recomendadas:

  • Rotinas em PHP ou Python para compor os campos XML;

  • Validação automática de schema (XSD) antes do envio;

  • Registro de logs e histórico de transmissões.

3.3 Valide e transmita via integração segura

Crie uma integração direta com o ambiente seguro do Bacen, garantindo autenticação, assinatura digital e protocolo de confirmação de recebimento.

3.4 Monitore e armazene logs

Todo envio deve ser registrado e arquivado por no mínimo 5 anos, com alertas automáticos para falhas de transmissão.


4. Benefícios de um processo automatizado

  • Zero retrabalho e redução de custos operacionais;

  • Conformidade garantida com o Banco Central;

  • Rastreabilidade total e auditorias facilitadas;

  • Maior confiança entre parceiros e clientes;

  • Escalabilidade — a estrutura suporta crescimento sem aumentar equipe.


5. Como a Alphacode apoia instituições financeiras

A Alphacode oferece soluções completas para fintechs, bancos e IPs automatizarem o compliance Pix e outras obrigações regulatórias.

Com o módulo MOSAICO Finance, é possível:

  • Gerar automaticamente os relatórios APIX001, 4111 e 4001;

  • Integrar via API com o SPI;

  • Validar arquivos com schema Bacen;

  • Armazenar logs e relatórios de conformidade;

  • Automatizar auditorias internas e alertas de erro.

Nosso time domina tanto a tecnologia bancária quanto os requisitos regulatórios, entregando segurança e performance.

Conclusão

O envio correto dos relatórios Pix é mais que uma obrigação — é um sinal de maturidade operacional e governança. Automatizar esse processo reduz riscos, economiza tempo e demonstra ao Banco Central que sua instituição é confiável e tecnicamente preparada.

Ao investir em automação de compliance, fintechs e bancos ganham eficiência e fortalecem sua credibilidade no mercado financeiro.

Como operar sem contas-bolsão: alternativas para fintechs e bancos após as novas regras do Bacen

As chamadas contas-bolsão entraram no radar regulatório do Banco Central do Brasil (Bacen) como práticas que podem ocultar ou substituir obrigações financeiras de terceiros — e, a partir de 1º de dezembro de 2025, entram em vigor novos deveres para instituições financeiras no fim desse modelo. 

Contas-bolsão
Contas-bolsão

Para fintechs, bancos e empresas de tecnologia financeira, a pergunta agora é: como se adaptar para continuar operando, inovando e cumprindo compliance? Neste artigo, vamos mapear o que mudou, os riscos envolvidos, e três alternativas robustas para substituir as contas-bolsão, com foco em governança, tecnologia e modelo de negócio.

1. O que são contas-bolsão e por que o Bacen mudou as regras

1.1 Definição e uso

Contas-bolsão são contas de depósito ou pagamento em nome de uma empresa (por exemplo, uma fintech) em que os recursos são usados para pagamentos, recebimentos ou compensações em nome de terceiros, sem clara identificação dos beneficiários ou titulares reais. 

1.2 Motivo da nova normativa

O Bacen identificou que esse modelo pode servir para ocultar fluxos financeiros ilícitos, fraudes, lavagem de dinheiro ou substituir obrigações de terceiros, o que fragiliza a rastreabilidade do sistema financeiro. 

1.3 Principais normas envolvidas

  • Resolução BCB nº 518 — altera a Resolução BCB nº 96/2021 sobre contas de pagamento. 

  • Resolução CMN nº 5.261 — altera a Resolução CMN nº 4.753/2019 sobre contas de depósitos. 

1.4 Vigência e transição

As regras entram em vigor em 1º de dezembro de 2025 e as instituições devem manter documentação das contas encerradas por até 10 anos. 

2. Riscos para fintechs, bancos e provedores de tecnologia

2.1 Compliance e supervisão

Instituições que estruturar contas-bolsão ou modelos próximos poderão ser obrigadas a encerrá-las compulsoriamente, além de reforçar capital, infraestrutura e controles de compliance. 

2.2 Mudança no modelo de negócios

Para fintechs que operavam como agregadores de recebíveis ou pagamentos via uma conta central, haverá impacto direto no fluxo de operação, exigindo reestruturação de modelo.

2.3 Tecnologia e rastreabilidade

É exigido que a instituição “use critérios próprios” para identificar contas-bolsão, com base em dados públicos/privados, o que demanda sistemas de monitoramento, detecção de padrões atípicos, governança de dados etc. 

3. Três alternativas para substituir as contas-bolsão

3.1 Estrutura segregada de contas por cliente ou carteira

Em vez de uma conta-bolsão agregada, crie uma estrutura onde cada cliente ou carteira tenha conta individual ou logicamente segregada.

Benefícios: transparência, rastreabilidade, compliance facilitado.

Desafios: maior custo operacional, necessidade de automação para criar e gerir múltiplas contas (ou sub-contas).

3.2 Uso de contas escrow ou fiduciárias específicas

Contrate ou monte contas fiduciárias/escrow com regras contratuais claras para recebimento e pagamento em nome de terceiros, com título vinculante ao fluxo do cliente (ex: marketplace).

Benefícios: bom nível de governança, visão clara de titularidade e obrigação.

Desafios: deve atender requisitos regulatórios de serviço de pagamento ou agência, dependendo do caso; necessidade de contratos bem desenhados.

3.3 Plataforma como serviço (PaaS) de contas digitais com compliance embutido

Ofereça ou utilize uma plataforma tecnológica (como o modelo que sua empresa, Alphacode, entrega) que permite instanciar contas digitais para clientes com regras automáticas de monitoramento, segregação de fluxos e relatórios de compliance.

Benefícios: escalabilidade, possibilidade de gerar receita recorrente, controle tecnológico de ponta.

Desafios: investimento em desenvolvimento, necessidade de integração com open banking / open finance / APIs regulatórias.


4. Etapas para implementação e adequação

  1. Mapeamento das contas existentes – identifique se há estrutura de conta-bolsão ou similar, revise contratos e operações.

  2. Revisão de governança e política de risco – defina critérios próprios para detectar contas-bolsão, documente-os conforme exigido pelas normas. 

  3. Reestruturação de tecnologia e operações – implemente automação para múltiplas contas, segregação de fluxos, monitoramento em tempo real e alertas de compliance.

  4. Comunicação com clientes e parceiros – ajuste contratos, informe mudanças, renegocie se necessário para novos modelos de operação.

  5. Monitoramento contínuo e relatórios – mantenha documentação por pelo menos 10 anos (como exige o Bacen) e reporte adequadamente à Diretoria. 


5. Como a Alphacode pode ajudar a sua instituição financeira

Na qualidade de fornecedor de tecnologia e parceiro de inovação financeira, a Alphacode (com foco em vertical Finance) apoia fintechs, bancos e instituições de pagamento na adaptação a essas mudanças regulatórias, oferecendo:

  • Plataforma modular para contas digitais, segregação de fluxos e relatórios de governança (modelo MOSAICO Finance).

  • Time especializado em integração API e compliance regulatório (open finance, contas de pagamento, etc.).

  • Roadmap de adequação regulatória sob o seu comando, com entregas em sprints, reduzindo o risco de não conformidade.

    Se a sua instituição está se preparando para eliminar modelos de contas-bolsão ou migrar para uma nova estrutura, entre em contato para avaliarmos juntos o melhor caminho tecnológico.

Conclusão

As novas regras do Bacen sobre contas-bolsão marcam um ponto de inflexão para o sistema financeiro: há menos tolerância para estruturas que dificultam transparência e rastreabilidade. Para fintechs e bancos, a urgência de se adequar — com governança, tecnologia e modelo de negócio concretos — é real e exige ação.

Mas essa mudança também traz oportunidade: ao adotar estruturas modernas, automatizadas e conformes, você se posiciona à frente no mercado, reduz risco regulatório e ganha credibilidade — e, com isso, pode converter essa vantagem em crescimento.

Se você deseja transformar esse desafio em diferencial competitivo, a hora de agir é agora.

O que é SCFI? Entenda a nova figura regulatória no mercado de crédito

O que é SCFI? Se você atua no universo das fintechs ou plataformas de crédito, é provável que já tenha visto a sigla SCFI aparecer nas notícias regulatórias.

Mas o que exatamente significa SCFI, o que muda para quem opera crédito ou FIDC, e como se preparar para essa nova realidade?

Neste artigo, explico de forma acessível:

  • O que é uma SCFI
  • Como ela se relaciona com o FIDC
  • Quais são os impactos práticos para fintechs, plataformas BAAS e investidores
  • E por que esse tema vai fazer diferença nos próximos anos

SCFI: sigla e definição básica

SCFI significa Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento. É uma nova categoria regulatória definida pelo Banco Central do Brasil que permite que instituições autorizadas atuem diretamente na concessão de crédito, financiamentos e operações financeiras diversas, com mais autonomia.

Enquanto os bancos captam depósitos à vista e têm uma série de obrigações específicas, as SCFIs operam com recursos de terceiros ou por meio de emissão de títulos, como Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), sem funcionar como banco tradicional.

De FIDC para SCFI: qual é a relação?

Você já deve ter lido meu artigo “FIDC agora pode virar SCFI: o que muda para fintechs”.  Nele, explico que um FIDC, que já atua comprando recebíveis, pode (sob certas condições) migrar ou assumir funções de crédito direto ao consumidor ou empresa, como uma SCFI.

  • FIDC é um fundo estruturado, regulado pela CVM (e sob regras de mercado de capitais), que compra direitos creditórios (recebíveis) de empresas. 

  • A nova autorização dada pelo Banco Central permite que empresas que operam como FIDC possam se tornar SCFIs, o que traz mais poder para estruturar crédito, reduzir intermediários, e oferecer linhas de crédito diretamente ao tomador. 

Regulamentação oficial de SCFI

Segundo informações do Banco Central, SCFIs são reguladas como instituições financeiras não-bancárias. Aqui estão alguns pontos importantes que compõem a regulamentação:

  • SCFIs devem seguir normas de capital mínimo, práticas de compliance, controles operacionais e governança, conforme diretrizes do Banco Central. 

  • Diferente dos bancos, SCFIs não captam depósitos à vista. Ou seja, não operam como banco comercial no sentido tradicional. A captação de recursos vem por outra via – emissão de títulos, parcerias, fundos, etc. 

  • A constituição de uma SCFI exige autorização específica do Banco Central, como ocorreu com o caso da Multiplike, que fez essa migração. 

Quais mudanças práticas para fintechs e plataformas BAAS

Para empresas que operam com crédito, antecipação de recebíveis ou modelos de financiamento, a porta da SCFI traz várias oportunidades — mas também desafios:

Oportunidades:

  1. Maior autonomia operacional — menos dependência de estruturas externas ou intermediação.

  2. Capilaridade de crédito — possibilidade de ofertar crédito diretamente ao cliente final ou empresa com menos entraves.

  3. Eficiência de custos — com menos intermediários, taxas reduzidas de intermediação.

  4. Inovação em produtos — novos formatos de crédito, BNPL, parcelamento, financiamento estrutural com mais liberdade.

Desafios:

  • Ajustar a infraestrutura de compliance (KYC, antifraude, auditoria) para atender as exigências do Banco Central.

  • Ter capital mínimo adequado.

  • Monitoramento regulatório constante.

  • Segurança tecnológica, rastreabilidade e transparência.

  • Governança rigorosa, relatórios oficiais e auditorias.


Como se preparar se você quer atuar como SCFI

Se você está considerando essa mudança, algumas ações práticas são importantes:

  • Avaliar se sua estrutura regulatória já permite atuar como SCFI; pode ser necessário mudar autorizações ou registros.

  • Verificar capital necessário e requisitos do Banco Central.

  • Garantir que seus processos de crédito, risco, compliance, tecnologia e segurança estejam alinhados às normas.

  • Ter sistemas de emissão, registro de CCBs, relatórios operacionais robustos.

  • Planejar a migração se você já opera como FIDC ou como plataforma de crédito intermediária.

Por que esse assunto é relevante agora?

O Banco Central está modernizando o sistema financeiro digital, concedendo autorizações que antes eram restritas, e permitindo que modelos financeiros mais flexíveis — como SCFIs — cresçam. Isso pode redefinir a forma como crédito é concedido no Brasil.

Para fintechs ou empresas que operam com crédito ou com direitos creditórios, ignorar essa mudança pode significar perder competitividade.


Minha experiência e como posso ajudar

Sou Rafael Franco, fundador da Alphacode. Tenho trabalhado desde 2015 com fintechs, operações de BAAS, integrando arquiteturas de crédito, CCBs e autorizadas regulatórias.

Se você está avaliando estruturar sua empresa como SCFI, migrar de FIDC, ou simplesmente entender se esse modelo se aplica para o seu negócio, podemos conversar. A Alphacode oferece consultoria técnica, plataforma, infraestrutura regulatória e tecnologia pronta para isso.

Regulação de fintechs pelo Banco Central: o que mudou em 2025 e como se preparar

Na esteira de uma série de ataques cibernéticos envolvendo instituições financeiras e de pagamento, o Banco Central do Brasil anunciou em 5 de setembro de 2025 um pacote emergencial de medidas voltadas à segurança do Sistema Financeiro Nacional.

As novas regras atingem principalmente fintechs, instituições de pagamento (IPs) não autorizadas e empresas que atuam como Prestadoras de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs).

Por que o BC apertou as regras agora?

Segundo a nota oficial, o motivo é claro: ações recentes do crime organizado afetaram diretamente operações de pagamento e instituições conectadas à Rede do Sistema Financeiro Nacional. Diante disso, o BC resolveu agir com firmeza e rapidez para proteger o ecossistema e os usuários.

O que muda com as novas regras?

Abaixo estão os principais pontos anunciados pelo Banco Central:


1. Limite de R$ 15 mil por transação para Pix e TED

  • Fintechs não autorizadas e instituições conectadas via PSTIs passam a ter limite de R$ 15.000 por operação de Pix ou TED.

  • Esse limite poderá ser retirado caso a IP e seu PSTI comprovem conformidade com os novos controles de segurança da informação.

  • Exceção transitória: empresas que atestarem o uso de controles poderão ser dispensadas do limite por até 90 dias.

2. Autorização obrigatória para operar

  • A partir de agora, nenhuma instituição de pagamento poderá operar sem autorização prévia do BC.

  • O prazo final para empresas não autorizadas solicitarem regularização foi antecipado de dezembro de 2029 para maio de 2026.

3. Regras mais rígidas para o uso do Pix

  • Apenas instituições integrantes dos segmentos S1, S2, S3 ou S4 (exceto cooperativas) poderão ser responsáveis pelo Pix de fintechs não autorizadas.

  • Contratos vigentes deverão ser ajustados em até 180 dias.


4. Possibilidade de exigência de certificação técnica

  • O BC poderá solicitar laudos de avaliação técnica emitidos por empresas independentes qualificadas para comprovar que a instituição cumpre os requisitos de segurança.

5. Fim das operações em caso de indeferimento

  • Caso uma IP em operação tenha o pedido de autorização negado, deverá encerrar suas atividades em até 30 dias.

6. Regras mais duras para PSTIs

  • PSTIs agora precisam atender a novos critérios de governança e gestão de riscos.

  • Foi estabelecido um capital mínimo de R$ 15 milhões.

  • O descumprimento poderá acarretar medidas cautelares ou até mesmo descredenciamento.

  • Empresas já em atividade terão quatro meses para se adequar.

Qual o impacto prático para o setor de fintechs?

Essas medidas não são simbólicas — elas têm efeito imediato, mudam regras operacionais importantes e pressionam o mercado a profissionalizar sua estrutura de segurança da informação.

Se você é empreendedor, gestor ou parceiro de uma empresa que atua como IP ou white-label bancário, vale revisar imediatamente:

  • Se a sua estrutura está operando com PSTI autorizado;

  • Se os fluxos de Pix e TED obedecem aos novos limites temporários;

  • Se há plano de regularização até maio de 2026;

  • Se seus contratos e parceiros estão preparados para auditorias externas e exigências do regulador.

Conclusão

O recado do Banco Central é claro: segurança agora é prioridade absoluta no setor financeiro, e não haverá mais espaço para operações informais, sem controle técnico ou regulação efetiva.

As fintechs que quiserem escalar com solidez e longevidade precisarão construir suas bases sobre compliance, transparência e resiliência cibernética.

BNPL: A Revolução do Crédito e a Oportunidade para Fintechs Brasileiras

BNPL: A Revolução do Crédito e a Oportunidade para Fintechs Brasileiras

O mercado de pagamentos tem evoluído rapidamente nos últimos anos, e um dos modelos que vem ganhando destaque globalmente é o BNPL (Buy Now, Pay Later), ou “Compre Agora, Pague Depois”. Esse modelo permite que consumidores realizem compras parceladas sem a necessidade de um cartão de crédito tradicional, tornando o acesso ao crédito mais flexível e inclusivo. No Brasil, onde o parcelamento já faz parte da cultura de consumo, o BNPL surge como uma grande oportunidade para fintechs inovarem e expandirem suas operações.


O que é BNPL e como funciona?

O BNPL é uma alternativa ao crédito tradicional que permite que os consumidores dividam pagamentos em parcelas sem juros ou com taxas reduzidas, dependendo do modelo adotado pela fintech ou pela empresa que oferece o serviço. O processo geralmente funciona assim:

1. O consumidor escolhe a opção BNPL ao finalizar uma compra em um e-commerce ou loja física.

2. A fintech aprova instantaneamente o crédito, analisando o perfil do comprador em tempo real.

3. O lojista recebe o pagamento integral, assumindo o risco ou terceirizando para um provedor BNPL.

4. O consumidor paga as parcelas, podendo quitar em prazos curtos (como quatro ou seis semanas) ou em prazos mais longos, com juros baixos.

Esse modelo tem atraído tanto consumidores que não possuem cartão de crédito quanto aqueles que buscam uma alternativa mais flexível e sem burocracia para realizar compras.


BNPL como oportunidade para fintechs brasileiras

O Brasil já tem uma cultura de parcelamento consolidada, com consumidores acostumados a dividir compras em várias parcelas no cartão de crédito. No entanto, o sistema tradicional de crédito no país ainda tem desafios, como altas taxas de juros no rotativo do cartão e um processo burocrático para a obtenção de crédito.

É nesse cenário que o BNPL pode ser um grande diferencial para fintechs:

Inclusão financeira: O BNPL pode alcançar consumidores desbancarizados ou com acesso limitado a crédito, expandindo o mercado.

Redução do custo de crédito: Ao oferecer alternativas sem juros ou com taxas menores, fintechs podem atrair mais clientes e competir com os bancos tradicionais.

Melhoria na experiência de compra: O processo de aprovação instantânea e a flexibilidade no pagamento tornam as compras mais acessíveis e atraentes.

Expansão para novos mercados: O modelo pode ser adotado não apenas no e-commerce, mas também em segmentos como educação, saúde e serviços.

Para fintechs que buscam se consolidar no setor financeiro, investir em soluções BNPL pode ser uma forma de aumentar a base de clientes e criar novos fluxos de receita.


O Caso da Tabby e a Expansão Global do BNPL

Um exemplo de sucesso no mercado BNPL é a Tabby, uma fintech com sede no Oriente Médio. A empresa cresceu rapidamente oferecendo soluções de parcelamento para consumidores e lojistas, tornando-se um dos principais players da região.

Recentemente, a Tabby dobrou sua avaliação para US$ 3,3 bilhões após levantar uma rodada de investimento de US$ 160 milhões. Esse aporte mostra o forte interesse dos investidores no setor e a crescente adoção do modelo BNPL.

O sucesso da Tabby pode servir de inspiração para fintechs brasileiras, que têm um mercado gigante a explorar e um público já acostumado a parcelar compras. Empresas que conseguirem adaptar o BNPL às necessidades locais, oferecendo soluções integradas com grandes varejistas e explorando parcerias estratégicas, podem capturar uma fatia significativa desse mercado.


Conclusão

O BNPL representa uma revolução no acesso ao crédito e tem potencial para transformar o mercado financeiro brasileiro. Com um ecossistema fintech em plena expansão e consumidores cada vez mais digitais, há um grande espaço para crescimento e inovação nesse segmento.

A história da Tabby prova que há um apetite global por soluções de parcelamento mais acessíveis e que investidores estão dispostos a apostar nesse modelo. As fintechs brasileiras que enxergarem essa tendência e se posicionarem estrategicamente poderão não apenas captar novos clientes, mas também atrair investimentos e impulsionar seu crescimento no setor financeiro.

Se você tem uma fintech ou pensa em investir no setor, agora pode ser a hora certa para explorar o BNPL e transformar a maneira como os brasileiros acessam crédito.