O maior erro das empresas que querem criar uma fintech

Rafael Franco no Banco Central em artigo sobre o maior erro das empresas que querem criar uma fintech

Criei minha primeira fintech há mais de 10 anos. De lá para cá, participei de centenas de projetos, acompanhei decisões brilhantes, decisões sofríveis e vi muita empresa tropeçar exatamente no mesmo ponto. Por isso, quando alguém me pergunta qual é o maior erro ao criar uma fintech, minha resposta raramente começa pela tecnologia.

Claro que tecnologia importa. Escolher a stack errada pesa. Contratar o fornecedor errado pesa. Integrar mal pesa. Mas, honestamente, esse não costuma ser o erro central.

O maior erro, na maioria dos casos, acontece antes. Ele começa quando a empresa decide construir uma fintech sem conseguir responder com clareza o que exatamente está tentando resolver, qual operação quer sustentar, qual tese econômica pretende defender e qual nível de autonomia realmente precisa ter.

Em outras palavras: o problema não costuma ser falta de tecnologia. O problema costuma ser excesso de solução antes de existir problema bem formulado.

Esse é um erro silencioso, porque no começo ele parece produtividade. A empresa conversa com fornecedor, vê demos, escuta promessas, compara plataformas, se empolga com BaaS, white label, cronograma curto, interface bonita. Parece que o projeto andou. Mas, muitas vezes, o que andou foi só o entusiasmo. A clareza estratégica ficou para trás.

O maior erro ao criar uma fintech não começa pela tela

Existe uma tentação muito forte de começar pelo que é mais visível. A interface. O aplicativo. O onboarding. O cartão. A jornada. Isso é compreensível, porque é o que parece mais concreto. Só que fintech não nasce da tela. Fintech nasce do desenho de negócio, da lógica operacional e da arquitetura de decisão.

Quando isso não está claro, a tecnologia entra cedo demais e acaba recebendo uma tarefa impossível: compensar a falta de definição.

É nessa hora que surgem projetos que querem lançar antes de saber qual problema resolvem, escolhem parceiro antes de entender a própria dependência, compram velocidade sem entender o custo da limitação, falam de produto financeiro sem discutir operação e tratam compliance como uma pendência futura.

O resultado é previsível: o projeto parece avançar rápido no começo, mas depois passa a consumir energia em retrabalho, redefinição e tensão entre áreas.

A fintech como fantasia corporativa

Em muitos casos, a ideia de criar uma fintech nasce mais da sedução do mercado do que da clareza do negócio.

A empresa vê outras empresas lançando produtos financeiros, escuta histórias de escala, percebe que o tema está em alta e começa a tratar a fintech como símbolo de modernidade. O problema é que símbolo não é estratégia.

Uma fintech não deveria nascer porque todo mundo está indo nessa direção. Ela deveria nascer porque existe uma hipótese real de valor, margem, distribuição, retenção, ganho operacional ou expansão de modelo de negócio.

Sem isso, o projeto vira fantasia corporativa com vocabulário técnico.

E aqui mora uma das distorções mais comuns: chamar de inovação o que, na prática, ainda é só ansiedade competitiva mal organizada.

Tecnologia é meio, não tese

Esse ponto parece óbvio, mas é espantosamente ignorado.

Tecnologia é meio. BaaS é meio. Partner stack é meio. White label é meio. API é meio. Nenhuma dessas coisas, por si só, responde por que a empresa deveria existir naquele espaço com chance real de sustentação.

Quando a tese está ruim, a tecnologia não salva. Quando a tese está mal definida, a arquitetura só posterga o problema. E quando a operação não foi pensada, qualquer sensação de velocidade vira dívida futura.

É por isso que boa parte dos projetos tropeça não porque faltou competência técnica, mas porque a sequência mental foi montada ao contrário.

A pergunta não deveria ser como a gente lança rápido. A pergunta deveria ser:

  • que problema merece ser resolvido?
  • por que esse problema precisa de uma camada financeira?
  • qual é o modelo econômico por trás disso?
  • que nível de autonomia faz sentido para nós?
  • o que precisa ser nosso e o que pode ser alavancado por parceiros?
  • qual risco estamos assumindo sem perceber?

Sem essas respostas, a discussão técnica vira teatro de decisão.

O mercado adora vender atalhos

Se existe uma indústria que sabe empacotar simplificação, é o mercado de soluções prontas.

Sempre aparece alguém prometendo fintech em poucos dias, banco digital plug and play, operação pronta sem complexidade. Essas promessas funcionam porque conversam diretamente com o desejo mais perigoso de qualquer empresa entrando nesse espaço: acelerar sem precisar compreender tudo o que está assumindo.

Só que quase todo atalho desse tipo cobra em algum lugar: autonomia, margem, flexibilidade, diferenciação, segurança operacional e capacidade de evolução.

Ou seja: o projeto não fica necessariamente mais simples. Ele só fica simplificado demais na narrativa comercial.

É por isso que eu desconfio profundamente de soluções que vendem velocidade como substituta de arquitetura. Em serviços financeiros, velocidade sem leitura estrutural costuma ser só complexidade comprimida.

O regulador não é o vilão da história

Outro erro conceitual que aparece bastante é tratar a regulação como se ela fosse o grande obstáculo da inovação. Isso é uma leitura preguiçosa.

Recentemente, em visita ao Banco Central, essa percepção ficou ainda mais clara para mim. O regulador brasileiro não tem postura de quem quer sufocar inovação. Pelo contrário: o Banco Central é um dos atores mais modernos e atentos à evolução do sistema financeiro. O que ele exige é que a inovação venha com consistência, responsabilidade e sustentação real.

E isso é bom.

Porque inovação séria não deveria querer existir fora de um ambiente de segurança, governança, previsibilidade e responsabilidade. A empresa madura entende isso cedo. A empresa ingênua descobre depois, geralmente da maneira mais cara.

A diferença entre quem constrói e quem performa construção

Existe uma diferença brutal entre empresas que querem realmente construir uma operação financeira e empresas que querem performar a construção de uma operação financeira.

As primeiras fazem perguntas duras. Testam hipótese. Discutem risco. Aceitam que algumas respostas exigem maturidade. Pensam em arquitetura, distribuição, margem, suporte, dependência e evolução.

As segundas querem parecer rápidas. Querem sair apresentando iniciativa. Querem mostrar interface. Querem encurtar a parte desconfortável do pensamento estratégico.

Só que é justamente essa parte desconfortável que separa projeto sólido de projeto decorativo.

Uma fintech madura não nasce da empolgação com o que pode ser lançado. Ela nasce da clareza sobre o que precisa ser sustentado.

O erro não é técnico. É executivo.

Se eu tivesse que resumir tudo em uma frase, seria essa: o maior erro das empresas que querem criar uma fintech não é técnico. É executivo.

É erro de enquadramento.

É tratar um projeto que deveria ser discutido como negócio, operação, arquitetura e responsabilidade como se fosse basicamente uma decisão de tecnologia com tempero de inovação.

Quando o enquadramento é ruim, todo o resto tende a se organizar mal. O fornecedor é escolhido pelas razões erradas. O parceiro parece melhor do que é. O prazo vira ilusão. O custo é subestimado. O white label parece solução. O BaaS parece resposta mágica. A operação vira apêndice. E a empresa só percebe o tamanho do erro quando já gastou energia demais para voltar atrás com leveza.

O que fazer no lugar disso

O caminho melhor não é mais lento por definição. Ele só é menos infantil.

Antes de construir, a empresa deveria:

  • definir o problema de negócio com precisão
  • entender se faz sentido resolvê-lo com uma camada financeira
  • mapear a lógica operacional necessária
  • avaliar parceiros sem terceirizar pensamento
  • decidir qual nível de autonomia quer preservar
  • alinhar tecnologia à tese, e não o contrário

Curiosamente, esse caminho costuma até acelerar a execução depois. Não porque simplifica o projeto artificialmente, mas porque reduz retrabalho, erro de sequência e decisão encantada.

Quem pensa melhor antes, normalmente anda melhor depois.

Conclusão

Nos meus mais de 20 anos de experiência em tecnologia e negócios, uma coisa se repetiu com frequência desconfortável: projetos ambiciosos raramente quebram primeiro pela ferramenta. Eles quebram primeiro pelo enquadramento errado.

Criar uma fintech é uma decisão séria demais para começar pela superfície. O maior erro das empresas que entram nesse jogo não é escolher uma tecnologia imperfeita. É começar o projeto sem clareza suficiente sobre problema, operação, tese econômica e desenho de longo prazo.

Quando isso acontece, a tecnologia vira muleta para uma decisão mal enquadrada. E nenhuma pilha de ferramentas resolve o que nasceu estrategicamente torto.

Se existe um conselho que vale repetir, é este: antes de procurar a solução, tenha coragem de formular melhor o problema.

Esse quase sempre é o ponto em que a diferença entre projeto sólido e projeto performático começa a aparecer.

Leituras complementares

Se você quiser aprofundar essa discussão por um ângulo mais prático, estes conteúdos se conectam diretamente com a tese deste artigo:

O Poder do Networking: Como Conexões Estratégicas Impulsionam Negócios e Carreiras

No mundo dos negócios, uma coisa é certa: ninguém cresce sozinho. Independentemente do setor ou do estágio da sua carreira, o networking – ou a construção de uma rede de relacionamentos profissionais – desempenha um papel fundamental no sucesso de qualquer profissional ou empresa.

De acordo com um estudo divulgado pelo LinkedIn, cerca de 85% das vagas de emprego são preenchidas por meio de indicações e conexões. Esse dado nos lembra que, além das qualificações e habilidades técnicas, a capacidade de cultivar e manter relacionamentos é um fator decisivo para avançar em nossas trajetórias profissionais. E o mesmo vale para os negócios: muitas das oportunidades mais valiosas surgem de uma boa rede de contatos.

Networking na Prática: O Caso da Alphacode

Nos últimos anos, percebi de maneira concreta o impacto positivo que o networking tem nas vendas e no crescimento da Alphacode. No último ano, mais de 70% das vendas da empresa vieram a partir de indicações de pessoas com quem mantenho um relacionamento próximo. Isso inclui clientes satisfeitos, parceiros de negócios e outros profissionais que, de alguma forma, confiam na qualidade do nosso trabalho e fazem questão de recomendar nossos serviços.

Esse número reflete a importância de se investir em relacionamentos de longo prazo, baseados na confiança e na troca de valor. Networking não é sobre coletar contatos de forma indiscriminada, mas sim sobre construir pontes genuínas que possam se transformar em oportunidades de colaboração, negócios e crescimento mútuo.

LinkedIn: Uma Ferramenta Poderosa para o Networking

Quando falamos em networking, o LinkedIn é uma das plataformas mais relevantes da atualidade. Com mais de 900 milhões de usuários, ele oferece um espaço único para profissionais se conectarem, trocarem experiências e gerarem negócios. Muitas vezes visto apenas como uma ferramenta para procurar emprego, o LinkedIn vai muito além disso. Ele possibilita:

Criação de autoridade: Compartilhar conhecimento, tendências e opiniões sobre o seu setor constrói credibilidade e reputação.

Acesso a novas oportunidades: A rede possibilita conexões com clientes em potencial, parceiros e até mentores.

Manutenção de relações: Interações regulares, seja comentando postagens ou enviando mensagens, mantém você presente na mente das pessoas.

Para mim, o LinkedIn tem sido essencial na manutenção dessas relações, ajudando não apenas a expandir minha rede de contatos, mas também a nutrir conexões com pessoas que podem gerar valor para a Alphacode a longo prazo.

Como Cultivar um Networking Eficiente?

Seja por meio de plataformas digitais como o LinkedIn, eventos presenciais ou interações cotidianas, o segredo para um networking eficaz está na autenticidade. Aqui estão algumas estratégias que aplico no meu dia a dia e que têm sido valiosas:

1.Interesse genuíno nas pessoas: Networking de qualidade é baseado em relacionamentos verdadeiros. Demonstre interesse nas histórias e desafios dos outros, sem esperar algo em troca imediatamente.

2.Seja consistente: Manter contato com sua rede de maneira constante, seja enviando mensagens, marcando encontros ou comentando posts, ajuda a construir uma presença relevante.

3.Ofereça valor primeiro: Muitas vezes, as conexões mais fortes surgem quando você oferece algo antes de pedir. Seja ajudando com uma indicação, oferecendo insights ou compartilhando conhecimento, as pessoas valorizam quem está disposto a contribuir.

4.Mantenha sua rede ativa: Não espere precisar de uma indicação ou oportunidade para procurar as pessoas da sua rede. Esteja presente, interaja e construa um relacionamento ao longo do tempo.

5.Participe de comunidades: Grupos de interesse e eventos (online ou presenciais) são ótimos lugares para ampliar sua rede com pessoas relevantes.

Networking não é apenas uma ferramenta de crescimento pessoal, é uma estratégia de negócios com impacto direto nos resultados. No meu caso, mais de 70% das vendas da Alphacode são uma prova de que boas relações geram bons negócios. Mas essa é uma via de 

5 Maneiras Práticas de Implementar Tecnologia em Pequenos Negócios

Tecnologia em Pequenos Negócios

Tecnologia em Pequenos Negócios

Com a crescente dependência da tecnologia, é essencial que a Tecnologia em Pequenos Negócios, independentemente do seu tamanho, integrem a tecnologia nas suas operações diárias. Aqui estão cinco maneiras eficazes de fazer isso.

1. Site: Em um mundo digital, a ausência de um site pode ser prejudicial para um pequeno negócio. Um site atua como a primeira linha de comunicação entre a empresa e possíveis clientes. Além de fornecer informações importantes sobre produtos ou serviços, um site bem estruturado e otimizado para SEO pode ajudar a atrair mais visitantes e converter leads em clientes.

2. WhatsApp: Com mais de 2 bilhões de usuários ativos em todo o mundo, o WhatsApp tornou-se uma ferramenta de comunicação inestimável para pequenas empresas. O WhatsApp Business, por exemplo, permite às empresas configurarem um perfil empresarial, fornecendo informações vitais aos clientes e facilitando a comunicação em tempo real.

3. CRM (Customer Relationship Management): O gerenciamento eficaz do relacionamento com o cliente é essencial para qualquer negócio. Um sistema de CRM bem implementado pode ajudar a gerir e analisar as interações dos clientes, melhorando o atendimento ao cliente, a retenção de clientes e, em última instância, a rentabilidade.

4. Controle Financeiro: A tecnologia tem revolucionado o setor financeiro e isso é notável mesmo em pequenos negócios. Softwares de gestão financeira podem ajudar os empresários a acompanhar as despesas, gerir o fluxo de caixa, preparar declarações fiscais e muito mais, tornando as operações mais eficientes e menos propensas a erros.

5. Marketing de Conteúdo: Esta é uma das estratégias de marketing digital mais eficazes disponíveis atualmente. Consiste em criar e compartilhar materiais relevantes e valiosos (como blogs, vídeos, infográficos) para atrair e engajar um público-alvo, com o objetivo de impulsionar ações lucrativas dos clientes.

Lembrando que a implementação da tecnologia deve ser feita de forma estratégica, com base nos objetivos e necessidades de cada negócio. E quando se trata de implementação de tecnologia, a Alphacode pode ser o seu parceiro ideal. Somos especialistas em desenvolvimento móvel e adoraríamos ajudá-lo a impulsionar o seu negócio. Entre em contato conosco!