Convocar é escolher sob pressão — e tecnologia também

Hoje, 18 de maio de 2026, a convocação da seleção brasileira virou aquele tipo de assunto que faz o país inteiro se sentir técnico por cinco minutos.

Carlo Ancelotti em coletiva de imprensa
Carlo Ancelotti — foto de Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

E, como sempre acontece quando o tema é Neymar, a conversa rapidamente sai do campo e entra no tribunal da opinião pública. Vai? Não vai? Está pronto? Ainda tem perna? Ainda tem peso? O curioso é que a discussão quase nunca é só sobre futebol. Ela é sobre critério sob pressão.

Nome grande não resolve decisão ruim

Em seleções, empresas e projetos de tecnologia, a tentação é a mesma: confundir reputação com encaixe. Só que um nome famoso não substitui contexto, e um histórico respeitável não compensa uma escolha mal feita para o jogo que vem pela frente.

É exatamente aí que muita empresa erra quando compra software, escolhe fornecedor ou monta um time. Ela olha para o barulho, não para a função. E depois descobre que a conta da decisão não aparece no dia da contratação, mas na rotina.

Tecnologia e fintech também jogam com escala, contexto e pressão

Quando uma empresa escolhe uma solução tecnológica ou financeira, ela não está comprando só uma entrega bonita. Está escolhendo como vai operar, evoluir e sobreviver ao uso real.

Por isso eu insisto tanto em uma ideia simples: o problema não é decidir rápido; é decidir mal. Tem projeto que parece ótimo no anúncio e frágil no campeonato. Tem fornecedor que fecha bem na proposta e custa caro na execução. E tem produto que impressiona no pitch, mas vira peso na primeira temporada de uso.

Essa lógica conversa bem com dois textos que já publiquei aqui: o fornecedor de tecnologia errado encarece a operação inteira e o custo invisível de um app mal planejado começa depois do lançamento.

Talvez a lição da convocação seja essa

No futebol, não vence quem gera mais debate. Vence quem entrega dentro da lógica do jogo. Em tecnologia e fintech, deveria ser igual. O nome ajuda a vender a ideia. Mas quem sustenta a operação é a decisão certa no lugar certo.

Talvez o debate sobre Neymar hoje diga menos sobre o jogador e mais sobre a nossa mania de preferir narrativa a critério. E, sinceramente, isso vale para a seleção e para boa parte das empresas também.

Critério antes do hype. Sempre.

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